Cerca de 89,6% dos pacientes com câncer de pulmão atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) chegam ao tratamento em estágios avançados (3 ou 4), quando as possibilidades de cura são drasticamente reduzidas. A constatação é de um levantamento do Instituto Lado a Lado pela Vida (plataforma Data Câncer 360º), baseado na análise de mais de 14 mil registros da rede pública.
Falta de rastreamento específico: O Brasil não dispõe de um programa nacional público voltado ao rastreamento e diagnóstico precoce do câncer de pulmão.
Sintomas inespecíficos: Por ser uma doença silenciosa, os sinais iniciais (tosse persistente, leve falta de ar ou quadros semelhantes a gripes e bronquites) costumam ser ignorados ou tratados inadequadamente.
Ineficácia do Raio-X: O exame tradicional de raio-X de tórax é considerado insuficiente para detectar lesões e tumores em estágios iniciais, levando a diagnósticos equivocados e ao retardo no encaminhamento especializado.
Inconclusão de dados: Cerca de 40% dos registros do SUS não trazem o estadiamento detalhado do tumor devido à falta de acesso a tomografias na atenção básica.
Exame anual preventivo: Oncologistas recomendam a realização de tomografia computadorizada de baixa radiação anual para pessoas em grupos de alto risco, principalmente fumantes e ex-fumantes que interromperam o hábito nos últimos 15 anos.
Impacto do tabagismo: O ato de fumar responde por aproximadamente 85% dos casos de câncer de pulmão. O aumento do uso de cigarros eletrônicos entre jovens é apontado como um fator de alerta para novos casos futuros.
Outras causas: Poluição atmosférica, exposição ocupacional a agentes químicos, predisposição genética e doenças pulmonares crônicas também figuram entre os fatores de risco.
| Indicador / Estimativa | Dados Oficiais |
| Novos casos anuais estimados (2026–2028) | 35.380 casos por ano (INCA) |
| Mortalidade registrada (2024) | 32.555 óbitos (INCA) |
| Diagnósticos em estágios avançados (SUS) | 89,6% dos casos com estadiamento identificado |
| Diagnósticos em fases iniciais (estágios 1 e 2) | Apenas 10,4% dos casos |
A campanha "Respire Agosto", idealizada pelo Instituto Lado a Lado pela Vida, busca chamar a atenção da população e dos gestores públicos para a necessidade urgente de implementar estratégias preventivas e exames de rastreamento no SUS. A detecção em fase inicial eleva as chances de cura para mais de 90%, além de reduzir os custos com tratamentos contínuos de alta complexidade.
Rádio ao vivo