Apesar da receptividade positiva ao quarto corte consecutivo da Taxa Selic promovido pelo Copom, entidades do setor industrial, representações de trabalhadores e analistas do mercado avaliaram a redução de 0,25 ponto percentual como tímida e insuficiente para reverter o cenário restritivo do crédito. As entidades argumentam que a manutenção dos juros reais em patamares elevados segue postergando investimentos, travando a modernização produtiva e limitando a recuperação do emprego e do consumo no país.
Firjan: Ressaltou que o sinal do corte é positivo, mas o encarecimento do capital continua adiando projetos e minando a competitividade das empresas. A entidade citou o fraco desempenho da indústria de transformação, que registrou avanço de apenas 0,4% no primeiro semestre do ano, segundo dados do IBGE.
CNI: Lembrou que a política monetária permanece em patamar restritivo há 55 meses consecutivos, prejudicando a expansão da atividade econômica.
Força Sindical: Classificou o ajuste gradual como uma oportunidade perdida de promover uma redução mais expressiva, afirmando que os juros altos desestimulam o consumo e comprometem a criação de postos de trabalho.
Divergência da Regra de Taylor: A CNI destacou que a Selic atual de 14% está 3,6 pontos percentuais acima da taxa calculada pela Regra de Taylor (estimada em 10,4%), modelo de referência para equilibrar o controle da inflação sem sufocar o crescimento do PIB.
Juros reais de 10%: A confederação enfatizou que a taxa de juros real do país gira em torno de 10%, superando com folga a taxa de juros neutra de equilíbrio estimada pelo próprio Banco Central (5%), o que daria margem para cortes mais intensos sem risco inflacionário.
Mensagem cautelosa: Analistas da Oby Capital destacaram que a comunicação do Copom manteve um tom conservador, condicionado à evolução dos dados futuros e com balanço de riscos assimétrico para cima.
Risco de pausa no ciclo: Ao citar explicitamente a desancoragem das expectativas e a necessidade de "serenidade e cautela", o comunicado do BC deixa aberta a possibilidade de uma nova redução no próximo encontro, mas ganha força o cenário de uma eventual interrupção no ciclo de flexibilização monetária.
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