Promovido pelo Observatório do Clima, o programa Defensoras por Defensoras conecta 36 ativistas ambientais e climáticas de diversas regiões do país. A iniciativa foca no fortalecimento comunitário, na troca de vivências e na capacitação de mulheres que atuam diretamente na preservação de seus territórios e memórias locais.
A rede conecta diferentes realidades e lutas pelo meio ambiente ao redor do Brasil:
Sarah Marques (Recife - PE): Nascida na comunidade Caranguejo Tabaiares, às margens do Rio Capibaribe, Sarah vivencia a transformação de um antigo polo de pesca artesanal que hoje sofre com a contaminação das águas e a pressão da especulação imobiliária.
Mirian Prochnow (Santa Catarina): Mobilizada pelo desmatamento da Mata Atlântica que presenciou na infância, ajudou a fundar há quatro décadas a ONG Apremavi. O projeto, que começou com 18 mudas no quintal, atualmente produz mais de 1 milhão de mudas anuais de 200 espécies nativas.
Val Munduruku (Jacareacanga - PA): Ativista indígena que conecta o conhecimento acadêmico às lutas do seu povo, integrando movimentos de juventude e de mulheres. Val reforça a importância de comunicar os impactos das mudanças climáticas para toda a sociedade, mostrando que as populações periféricas e indígenas já enfrentam essas consequências há anos.
Em um relatório recente intitulado Mulheres que Sustentam o Clima, o grupo faz uma análise crítica sobre a Política Nacional de Cuidados (Lei 15.069/2024):
Lacunas na legislação: As ativistas apontam a ausência de amparo institucional para lideranças comunitárias, que frequentemente enfrentam sobrecarga física e mental para proteger suas terras.
Novo conceito de cuidado: A rede propõe expandir a definição de "cuidado" para além das relações interpessoais, incluindo o zelo com a terra e a oferta de suporte emocional, espiritual e mental para as defensoras territoriais e grupos vulnerabilizados.
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