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Agosto Dourado 2026: Sociedade Brasileira de Pediatria alerta para assédio da indústria de fórmulas e reforça metas de aleitamento

Por Redação TV SDB
02/08/2026 - Atualizado às 15:58


Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O início da Semana Mundial do Aleitamento Materno (SMAM) de 2026 e da campanha Agosto Dourado trouxe ao centro do debate a meta do Brasil de atingir 70% de amamentação exclusiva nos primeiros seis meses de vida até 2030 — compromisso superior ao objetivo global de 60% fixado pela Assembleia Mundial da Saúde. Em paralelo às ações institucionais do Ministério da Saúde, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) fez um alerta severo sobre o assédio comercial e a pressão de marketing da indústria de fórmulas infantis sobre profissionais de saúde e famílias. A entidade médica defendeu o rigor na prescrição dessas fórmulas, classificadas como alimentos ultraprocessados indicados apenas para situações clínicas específicas, e ressaltou a importância da fiscalização do arcabouço legal que limita a publicidade do setor.

Alerta contra o Assédio Comercial, Arcabouço Legal e Impactos Econômicos

  • Pressão da Indústria e Prescrição Médica: A SBP denunciou estratégias intensas de lobby em hospitais, consultórios e redes sociais para promover fórmulas infantis como substitutas equivalentes ao leite materno. O órgão reforça que esses produtos são ultraprocessados e devem ser restritos a casos de contraindicação médica (como mães vivendo com HIV), incapacidade real de amamentação ou alergias graves.

  • Dispositivos da NBCAL (Lei 11.265/2006): A Norma Brasileira de Comercialização de Alimentos para Lactentes proíbe o patrocínio financeiro direto da indústria a médicos em pessoa física, veda a publicidade e a oferta de mamadeiras, chupetas e bicos artificiais a recém-nascidos de risco e impede o uso de rotulagens ou fotos em embalagens que induzam dúvidas sobre a capacidade materna de amamentar.

  • Sustentabilidade e Economia Familiar: Alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, o aleitamento materno gera redução direta nos custos das famílias com insumos e medicamentos, diminui o absenteísmo laboral dos pais devido ao menor índice de adoecimento infantil e otimiza a transição no retorno da mãe ao mercado de trabalho.

Metas Nacionais, Histórico de Avanços e Riscos do Desmame Precoce

  • Metas Globais e Indicadores Nacionais: O compromisso brasileiro de 70% de aleitamento exclusivo até 2030 baseia-se na evolução contínua dos indicadores do país, que saltaram de 4,7% na década de 1980 para 45,8% em 2019, segundo dados do Estudo Nacional de Nutrição Infantil (Enani/UFRJ).

  • Riscos dos Bicos Artificiais: A introdução de mamadeiras e chupetas é desestimulada pela SBP devido ao risco de "confusão de bicos", alteração da mecânica fisiológica de sucção e consequente redução no estímulo para a produção glandular láctea, figurando entre os principais fatores para o desmame precoce.

  • Estratégia Integrada de Saúde Pública: A promoção do aleitamento insere-se na Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Criança como vetor estruturante para reduzir índices de mortalidade infantil e materna, além de garantir a segurança alimentar nas primeiras etapas do desenvolvimento.

"O que a gente percebe é que há um marketing muito grande dizendo que essas fórmulas substituem o leite materno, e não substituem. [...] É o lobby na porta do hospital, nas redes sociais, nas datas festivas. Essas indústrias de alimentos tentam de várias formas fazer um assédio ao profissional de saúde."

Dra. Rossiclei Pinheiro, presidente do Departamento Científico de Aleitamento Materno da Sociedade Brasileira de Pediatria (DCAM-SBP).



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