O Brasil registrou 1.583 estabelecimentos formais na cadeia produtiva da cachaça em 2025, um aumento de 21% em relação ao ano anterior — o maior ritmo de expansão do setor desde 2018. Os dados constam do Anuário da Cachaça, divulgado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). A despeito do aumento de fabricantes, marcas e volume de exportação (que cresceu 19,4%), o volume total de produção declarada sofreu uma retração de 15,77%, somando 234,48 milhões de litros. O levantamento também reforça o alerta sanitário contra bebidas clandestinas e adulteradas com metanol, destacando a importância do registro oficial para a segurança do consumidor.
Crescimento de Estabelecimentos e Empregos: O total de 1.583 empresas cadastradas (englobando produtores, padronizadores, envasadores e atacadistas) representa uma alta de 61% desde 2018. O setor manteve uma média de 6.232 empregos diretos em 2025, respondendo por 4,4% dos puestos de trabalho da indústria de bebidas.
Concentração Regional e Liderança Municipal: A Região Sudeste concentra 62% das empresas do país (961), impulsionada por Minas Gerais (564) e São Paulo (230). A cadeia está presente em 844 municípios, tendo como principais polos Salinas/MG (27 estabelecimentos), Alto Rio Doce/MG (25) e Viçosa do Ceará/CE (24).
Desempenho no Comércio Exterior: As exportações alcançaram cerca de 8 milhões de litros comercializados para 76 países, gerando um faturamento superior a US$ 17 milhões. Os Estados Unidos lideraram em valor total pago, enquanto o Paraguai figurou como o maior comprador em volume (1,34 milhão de litros).
Queda no Volume Total e Desafios de Mercado: Apesar do recorde de 8.379 produtos registrados no Mapa, os dados do Instituto Brasileiro da Cachaça (Ibrac) apontam uma queda de 15,77% no volume produzido em 2025, evidenciando que a presença da bebida no mercado internacional permanece abaixo do potencial do setor.
Combate à Clandestinidade e Metanol: O Mapa reforça a obrigatoriedade do número de registro no rótulo para combater a fabricação ilegal. A medida é fundamental para evitar casos severos de contaminação por metanol — como os registrados no fim de 2025 —, que representam emergência médica com risco de cegueira irreversível e óbito.
Orientação de Saúde e Suporte do SUS: O Ministério da Saúde reforça que não há nível seguro para o consumo de álcool e destaca que a rede pública oferece tratamento gratuito contra a dependência alcoólica por meio das Unidades Básicas de Saúde (UBS) e dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS AD).
"Apesar do crescimento no número de estabelecimentos, produtos, marcas e exportações [...] a exportação da bebida continua em um patamar pouco expressivo, especialmente quando consideramos o tamanho do setor e o mercado internacional de destilados."
— Vicente Bastos, presidente do Instituto Brasileiro da Cachaça (Ibrac), em avaliação sobre os dados do Anuário da Cachaça.
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