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Lançamento do livro "Escreviventes" na FLIP celebra o legado de Conceição Evaristo e Eliana Alves Cruz

Por Redação TV SDB
31/07/2026 - Atualizado às 20:19


Imagem: Rovena Rosa/Agência Brasil

A Pallas Editora lançou, durante a 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), a obra Escreviventes, fruto de um diálogo gravado entre as escritoras Conceição Evaristo e Eliana Alves Cruz. O livro inaugura a coleção Memórias Brasileiras e antecede um documentário homônimo previsto para estrear em festivais em 2027. A publicação coincide com marcos simbólicos na trajetória das autoras em 2026 — o octogenário de Conceição e os 60 anos de Eliana —, abordando o conceito de "escrevivência", o direito à memória e os gargalos ainda enfrentados pela literatura e pelo audiovisual no registro da intelectualidade negra no Brasil.

Estrutura da Obra, Conceito de Escrevivência e Expansão Audiovisual

  • Origem e Eixos Temáticos: O livro resulta de um encontro de dois dias gravado no quilombo urbano Kaza 123, no Rio de Janeiro, percorrendo tópicos como maternidade, envelhecimento, racismo, amizade e criação literária.

  • Aprofundamento Conceitual: Conceição Evaristo reforçou que a "escrevivência" une a vivência real à elaboração ficcional, citando referências do autor angolano Pepetela e o romance Um Defeito de Cor, de Ana Maria Gonçalves, para exemplificar a ficcionalização da memória.

  • Projeção para o Audiovisual: Sob direção de Estevão Ribeiro, o projeto desdobra-se em um documentário homônimo programado para o circuito de festivais em 2027, visando perpetuar o registro da trajetória de ambas as autoras.

Lacunas na Historiografia, Inclusão Tecnológica e Gargalos do Setor

  • Dívida Histórica da Literatura: As autoras destacaram a escassez de registros documentais sobre grandes intelectuais negros — como Lélia Gonzalez —, ressaltando a urgência de iniciativas que formalizem a memória de escritores negros no acervo nacional.

  • Contraste entre Mercado Editorial e Audiovisual: Eliana Alves Cruz ponderou que, embora tecnologias e formatos como e-books tenham acelerado a democratização da literatura, o setor audiovisual ainda impõe severas barreiras para viabilizar produções focadas na história negra.

  • Celebração de Trajetórias: O lançamento consolida a relevância do trabalho de Conceição Evaristo e Eliana Alves Cruz no cenário contemporâneo, alinhando-se às celebrações de 80 e 60 anos de vida de cada uma, respectivamente.

"A história da literatura brasileira é devedora das mulheres escritoras, e é principalmente devedora dos escritores negros, homens e mulheres."

Conceição Evaristo, escritora e romancista, em painel na Casa Estante Virtual durante a 24ª FLIP.



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