O governo brasileiro formalizou um pedido de consultas junto à Organização Mundial do Comércio (OMC) para contestar a legalidade das sobretaxas tarifárias aplicadas pelos Estados Unidos sobre produtos nacionais. Em documento entregue à entidade multilateral, o Brasil argumenta que as medidas norte-americanas violam as obrigações do Acordo Geral de Tarifas e Comércio (GATT 1994) e impõem tratamento discriminatório às exportações brasileiras em relação a outros países membros. A iniciativa representa a primeira etapa do sistema de solução de controvérsias da OMC, abrindo espaço para negociações bilaterais diretas antes da potencial abertura de um painel arbitral.
Incompatibilidade com o GATT 1994: O governo brasileiro sustentou que as alíquotas adicionais impostas por Washington carecem de amparo nas diretrizes normativas do comércio multilateral.
Quebra de Isonomia Comercial: O pleito aponta que os EUA preteriram o Brasil ao aplicar barreiras com base na Seção 301 sem estender as mesmas penalidades a outros membros da OMC, violando concessões e privilégios recíprocos.
Mecanismo de Controvérsias: A abertura do pedido de consultas visa reestabelecer o diálogo diplomático e negociar uma solução; em caso de impasse, o Brasil poderá solicitar a instalação formal de um painel de julgamento na organização.
Tarifa Adicional de 25%: Decorre de investigação específica conduzida pelos EUA sobre o mercado brasileiro, abrangendo temas como comércio digital, serviços de pagamentos, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e combate ao desmatamento ilegal.
Tarifa Adicional de 12,5%: Resulta de apuração abrangendo 60 economias globais, cujo foco concentrou-se na aplicação de restrições a bens produzidos total ou parcialmente com trabalho forçado.
Atuação Diplomática: O Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) busca afastar as barreiras tarifárias e resguardar a competitividade do setor exportador nacional frente às exigências unilaterais impostas por Washington.
"Ao impor tarifas a produtos originados no Brasil com base na Seção 301, enquanto não impôs tais tarifas a outros membros da OMC, os EUA falharam em conceder aos produtos originados no Brasil vantagens, favores, privilégios ou imunidades concedidos a outros países da OMC."
— Governo do Brasil, em petição oficial submetida ao Sistema de Solução de Controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC).
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