O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, recebeu reservadamente o presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, e a diretoria de Riscos da instituição para tratar de pautas institucionais. O encontro ocorre em um momento crítico da reestruturação do BRB, que aguarda a liberação de um socorro financeiro de R$ 6,6 bilhões homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para mitigar rombos decorrentes de operações com o Banco Master. A operação enfrenta entraves na repactuação de garantias com bancos privados, atraso na publicação do balanço do exercício de 2025 e crescentes pressões sobre a liquidez do banco.
Exigências Pendentes do Acordo: Embora o resgate de R$ 6,6 bilhões (com aporte complementar de R$ 2,2 bilhões do Governo do Distrito Federal) já tenha sido homologado pelo STF, a efetivação dos recursos depende da assinatura de contratos com o Fundo Garantidor de Crédito (FGC), da prestação de contragarantias à União e do encerramento de auditorias financeiras.
Resistência dos Bancos Privados: As tratativas para a concessão do empréstimo avançam lentamente devido à exigência de bancos privados para que a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil concedam garantias à operação, transferindo o risco de inadimplência às instituições públicas federais.
Cancelamento de Operação Estruturada: O BRB cancelou um acordo de R$ 15 bilhões com a gestora Quadra Capital. O negócio previa a troca de ativos imobiliários de baixíssima liquidez oriundos do Banco Master por aportes de caixa à vista.
Inadimplência de Balanço e Multas: O BRB ainda não divulgou as demonstrações financeiras referentes ao exercício de 2025, descumprindo uma das precondições para a liquidação do socorro e mantendo o banco sob sanções administrativas e multas aplicadas pelo BC.
Foco no Monitoramento de Riscos: A participação da diretora de Controle e Riscos do BRB, Ana Paula Teixeira de Sousa, na reunião com a diretoria de Fiscalização do BC evidencia a centralidade das apurações sobre falhas e riscos operacionais no sistema.
Comprometimento Patrimonial: Representantes do Ministério da Fazenda classificaram a compra de carteiras do Banco Master como altamente prejudicial, estimando que cerca de R$ 12 bilhões foram transferidos pelo BRB em troca de ativos sem valor real de mercado.
"O banco basicamente passou R$ 12 bilhões para o Master e recebeu guardanapo, papel que não valia nada."
— Dario Durigan, representante do Ministério da Fazenda, sobre a deterioração patrimonial do BRB após operações com o Banco Master.
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