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Angela Davis critica gentrificação em Paraty e exalta intelectuais negras brasileiras na Flip

Por Redação TV SDB
27/07/2026 - Atualizado às 14:22


Imagem: Rovena Rosa/Agência Brasil

Na programação paralela da 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), a filósofa e ativista norte-americana Angela Davis denunciou os impactos do racismo ambiental e do processo de gentrificação no município fluminense. Em debate alusivo ao Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, promovido no Sesc Caborê, Davis defendeu a articulação entre as lutas antirracista, anticapitalista e de gênero, ressaltando o pensamento de referências brasileiras como Lélia Gonzalez, Beatriz Nascimento e Conceição Evaristo.

Principais Destaques e Denúncias

  • Gentrificação e Racismo Ambiental: Alerta sobre o avanço da especulação imobiliária em Paraty, projetada para a obtenção de lucro em detrimento do direito à terra e da permanência de populações periféricas e ancestrais.

  • Resgate do Pensamento Intelectual Brasileiro: Validação internacional dos conceitos de Amefricanidade (Lélia Gonzalez), da identidade atlântica (Beatriz Nascimento) e da escrevivência (Conceição Evaristo) como pilares para a desconstrução da hegemonia eurocêntrica.

  • Crítica Estrutural ao Capitalismo e ao Fascismo: Contestação da concentração de riqueza na "era dos trilionários", defesa da redução da jornada de trabalho e convocação da mobilização popular contra o avanço de lideranças autoritárias no cenário global.

Denúncia Socioambiental e Dinâmica Territorial em Paraty

  • Impactos na População Local: Davis destacou que o aumento do custo de vida e a valorização imobiliária em Paraty expulsam moradores de baixa renda de suas terras originárias, configurando um cenário de racismo ambiental em que a busca pelo lucro compromete a sustentabilidade e o futuro dos jovens.

  • O Papel da Literatura e da Cultura: A ativista pontuou que manifestações culturais e literárias devem servir como ferramentas transversais para transformar realidades materiais e dar visibilidade às demandas territoriais das comunidades afetadas.

Diálogo com a Intelectualidade Negra e Antirracista

  • Lélia Gonzalez e a Amefricanidade: Classificou Lélia Gonzalez como referência fundamental no debate sobre gênero, raça e classe, destacando que o conceito de Amefricanidade une indissociavelmente as trajetórias e resistências dos povos negros e indígenas nas Américas.

  • Beatriz Nascimento e Internacionalismo: Citou a formulação de Beatriz Nascimento ("eu sou atlântica") como síntese do sentimento de pertencimento global e solidariedade transnacional, que transpõe as fronteiras geopolíticas.

  • Conceição Evaristo e Protagonismo Narrativo: Presente na plateia, Conceição Evaristo foi equiparada por Davis ao patamar de Toni Morrison e Nina Simone. O conceito de escrevivência foi ressaltado como essencial para romper com a premissa de que a experiência branca seria universal.

Violência de Estado, Direitos Humanos e Luta Coletiva

  • Dimensão da Violência de Gênero: Davis enfatizou que a violência contra as mulheres abrange tanto a esfera doméstica quanto as agressões perpetradas pelo Estado (como o encarceramento em massa e a violência policial), identificando mulheres negras e trans negras como os grupos de maior vulnerabilidade. Em sua fala, homenageou a vereadora Marielle Franco.

  • Poder da Mobilização Transnacional: Rememorou o período de sua prisão nos anos 1970 para demonstrar que movimentos populares organizados internacionalmente têm capacidade de frear abusos de poder e conter a ascensão de regimes fascistas.

"Naquele conceito [de Amefricanidade], ela reconhece que a luta negra, em qualquer parte do mundo, não pode acontecer também sem o povo indígena."

Angela Davis, ativista e pesquisadora norte-americana.



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