O preço da gasolina voltou a acelerar nos postos de combustíveis em todo o Brasil, atingindo uma média de R$ 6,65 por litro na última semana de março. O movimento intriga o consumidor, uma vez que a Petrobras não anunciou nenhum reajuste oficial em suas refinarias desde janeiro — quando, inclusive, houve uma redução de 5,2%.
De acordo com o levantamento semanal da Agência Nacional do Petróleo (ANP), a escalada começou junto com o agravamento das tensões geopolíticas envolvendo o Irã, no final de fevereiro.
Os dados da ANP mostram uma trajetória de alta contínua nas últimas quatro semanas:
28 de fevereiro: R$ 6,28 (início do conflito).
07 de março: R$ 6,30.
14 de março: R$ 6,46.
21 de março: R$ 6,65.
A alta acumulada no período é de aproximadamente 5,9%. O diesel também seguiu a tendência de subida, chegando a um preço médio de R$ 7,65 após um reajuste de 11,6% nas refinarias no último dia 13 de março.
Especialistas explicam que a Petrobras não é mais a única baliza de preços no país. Dois fatores principais explicam o aumento atual:
Refinarias Privadas e Distribuição: Parte do parque de refino brasileiro está sob controle privado, permitindo ajustes independentes da estatal. Além disso, as distribuidoras repassam as variações do custo de importação e logística.
Etanol Anidro: Cerca de 26% da gasolina comum é composta por etanol anidro. Oscilações no preço deste componente influenciam diretamente o valor final na bomba.
Cenário Global: O preço do barril de petróleo disparou no mercado internacional devido à incerteza sobre o fornecimento de energia após os ataques e bloqueios no Golfo Pérsico.
O aumento dos combustíveis é um dos principais "vilões" da inflação. Para o IPCA-15 (prévia da inflação), que será divulgado nesta quinta-feira (26), o impacto deve ser limitado, já que a coleta dos dados ocorreu quando os preços ainda estavam mais baixos.
No entanto, economistas alertam que o IPCA cheio de março, a ser divulgado em abril, deve registrar um salto significativo. Analistas preveem que a gasolina sozinha possa contribuir com uma alta entre 2,8% e 3,5% no índice mensal, pressionando o custo de vida geral.
Embora a Petrobras mantenha seus preços estáveis por enquanto, a pressão do mercado internacional é forte. Donos de postos e revendedores afirmam que o ajuste nas bombas é uma necessidade para recompor as margens diante do custo mais alto de aquisição do produto junto às distribuidoras.
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