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Governo da Bahia tomba dois terreiros seculares de Candomblé como patrimônio cultural material

Por Redação TV SDB
25/07/2026 - Atualizado às 12:14


Imagem: Fernando Barbosa/IPAC

O Governo do Estado da Bahia oficializou, via decreto publicado no Diário Oficial, o tombamento do terreiro Omo Ilê Agboulá, na Ilha de Itaparica, e do Ilê Asé Kalé Bokún, no bairro de Plataforma, em Salvador. Com a inclusão no Livro de Tombamento de Bens Imóveis do Estado, os espaços passam a contar com proteção legal direta para salvaguarda de seus acervos arquitetônicos, históricos e simbólicos de matriz africana.

Relevância Histórica e Caracterização dos Espaços

  • Omo Ilê Agboulá (Itaparica):

    • Tradição: Principal referência do culto aos egúngun (ancestrais) no país e a mais antiga comunidade em funcionamento contínuo dedicada a essa prática.

    • Origens: Guarda acervos rituais desde o início do século XIX, trazidos por africanos iorubás da região de Oió, tendo sua organização institucional consolidada entre as décadas de 1920 e 1930.

    • Status de Proteção: Já reconhecido como Patrimônio Imaterial da Bahia e Patrimônio Cultural Brasileiro pelo Iphan (desde 2015), o espaço passa a ter proteção material estadual.

  • Ilê Asé Kalé Bokún (Salvador):

    • Tradição: Maior referência da nação Ijexá no Brasil e único terreiro dessa linhagem em operação ininterrupta desde a fundação.

    • Origens: Registrado oficialmente em 1933 pelo babalorixá Severiano Santana Porto (com raízes remontando a 1896), o grupo estabeleceu-se no Subúrbio Ferroviário após migrar do centro de Salvador.

    • Resistência e Rituais: Durante a repressão religiosa (décadas de 1920–1940), criou uma sociedade civil para salvaguardar suas práticas. Abriga celebrações raras, como o ritual do Otun e o culto às gueledés (força ancestral feminina).

Expansão do Programa de Proteção ao Patrimônio

Os tombamentos decorrem de dossiês do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC) aprovados pelo Conselho Estadual de Cultura. A iniciativa integra um pacote recente de preservação que contempla outros bens baianos:

  • Terreiro Ilê Axé Onirê (nação Ketu), em Santo Amaro;

  • Antigo Grupo Escolar J. J. Seabra (atual Museu Regional de Arte), em Feira de Santana;

  • Prédio da Câmara de Vereadores, em Valença.

"O tombamento garante a conservação das características dos bens protegidos e contribui para preservar a memória, a diversidade cultural e as tradições históricas da Bahia."

Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC).



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