O Governo do Estado da Bahia oficializou, via decreto publicado no Diário Oficial, o tombamento do terreiro Omo Ilê Agboulá, na Ilha de Itaparica, e do Ilê Asé Kalé Bokún, no bairro de Plataforma, em Salvador. Com a inclusão no Livro de Tombamento de Bens Imóveis do Estado, os espaços passam a contar com proteção legal direta para salvaguarda de seus acervos arquitetônicos, históricos e simbólicos de matriz africana.
Omo Ilê Agboulá (Itaparica):
Tradição: Principal referência do culto aos egúngun (ancestrais) no país e a mais antiga comunidade em funcionamento contínuo dedicada a essa prática.
Origens: Guarda acervos rituais desde o início do século XIX, trazidos por africanos iorubás da região de Oió, tendo sua organização institucional consolidada entre as décadas de 1920 e 1930.
Status de Proteção: Já reconhecido como Patrimônio Imaterial da Bahia e Patrimônio Cultural Brasileiro pelo Iphan (desde 2015), o espaço passa a ter proteção material estadual.
Ilê Asé Kalé Bokún (Salvador):
Tradição: Maior referência da nação Ijexá no Brasil e único terreiro dessa linhagem em operação ininterrupta desde a fundação.
Origens: Registrado oficialmente em 1933 pelo babalorixá Severiano Santana Porto (com raízes remontando a 1896), o grupo estabeleceu-se no Subúrbio Ferroviário após migrar do centro de Salvador.
Resistência e Rituais: Durante a repressão religiosa (décadas de 1920–1940), criou uma sociedade civil para salvaguardar suas práticas. Abriga celebrações raras, como o ritual do Otun e o culto às gueledés (força ancestral feminina).
Os tombamentos decorrem de dossiês do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC) aprovados pelo Conselho Estadual de Cultura. A iniciativa integra um pacote recente de preservação que contempla outros bens baianos:
Terreiro Ilê Axé Onirê (nação Ketu), em Santo Amaro;
Antigo Grupo Escolar J. J. Seabra (atual Museu Regional de Arte), em Feira de Santana;
Prédio da Câmara de Vereadores, em Valença.
"O tombamento garante a conservação das características dos bens protegidos e contribui para preservar a memória, a diversidade cultural e as tradições históricas da Bahia."
— Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC).
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