Um levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) indica que a nova sobretaxa adicional de 12,5% imposta pelo governo dos Estados Unidos fará com que 3.985 produtos brasileiros passem a enfrentar uma tributação acumulada de 37,5% para ingressar no mercado norte-americano. A medida alcança US$ 12,4 bilhões em vendas (29,4% do total exportado aos EUA) e eleva para 48,7% a fatia do comércio brasileiro com o país sob algum tipo de sobretaxação.
A nova alíquota atinge um total de 4.060 produtos brasileiros, distribuídos em dois grupos:
Tarifa Combinada (37,5% total): 3.985 produtos que já estavam submetidos à sobretaxa anterior de 25% e agora somam os 12,5% adicionais. O grupo representa US$ 10,8 bilhões (80,7% do volume financeiro afetado pela nova medida).
Tarifa Simples (12,5% total): 75 produtos que não pagavam a taxa de 25% e passarão a recolher apenas a nova alíquota, totalizando US$ 1,6 bilhão em exportações.
Justificativa Norte-Americana (Seção 301): A decisão decorre de investigação comercial conduzida pelo USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA) em 60 países, alegando ineficácia na aplicação de proibições à importação e produção de bens vinculados ao trabalho forçado.
Contraponto da CNI: A entidade rejeita as conclusões americanas, argumentando que o arcabouço jurídico e os órgãos de fiscalização do Brasil figuram entre os mais modernos do mundo na prevenção, combate e erradicação do trabalho análogo à escravidão.
Ações de Mitigação: A CNI abriu interlocução com o governo federal e setores afetados para estruturar medidas emergenciais de apoio às empresas prejudicadas e defende a manutenção dos canais diplomáticos com Washington.
"É essencial que o diálogo entre Brasil e Estados Unidos seja mantido e aprofundado. Ao mesmo tempo, precisamos agir com rapidez para amenizar o impacto sobre as empresas prejudicadas."
— Ricardo Alban, presidente da CNI.
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