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Cenipa conclui relatório sobre queda de avião em Vinhedo e aponta 19 fatores contribuintes

Por Redação TV SDB
24/07/2026 - Atualizado às 12:21


Imagem: Divulgação/Cenipa

O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) finalizou o relatório sobre o acidente com a aeronave da Voepass (voo PS-VPB), ocorrido em 9 de agosto de 2024, que resultou na morte de 62 pessoas em Vinhedo (SP). A investigação concluiu que falhas mecânicas, gestão inadequada de alertas pela tripulação e graves deficiências na cultura organizacional e na manutenção da empresa foram determinantes para o sinistro.

Cultura Organizacional e Falhas de Manutenção

  • Omissão de Registros de Bordo: Em voos anteriores à tragédia, diferentes tripulações identificaram formações de gelo e falhas no sistema de degelo, mas omitiram os episódios dos diários de bordo, caracterizando um padrão de "normalização de desvios".

  • Práticas de Manutenção Irregulares: Mecânicos da companhia relataram a prática de trocar componentes defeituosos entre aeronaves para liberação de voos sem os devidos reparos.

  • Aeronave Inapta para Operação: O avião voava com restrição no sistema de limpadores de para-brisa, condição que proibia a decolagem sob chuva ou previsão pluviométrica nas etapas de voo.

  • Histórico Operacional: A análise de 15 mil voos da Voepass revelou 1.674 episódios de degradação de performance por acúmulo de gelo e um evento anterior de perda de controle em voo que nunca havia sido notificado às autoridades aeronáuticas.

Dinâmica do Voo e Fatores Operacionais

  1. Alertas de Degradação de Velocidade: Durante o trajeto de Cascavel (PR) a Guarulhos (SP), o sistema emitiu múltiplos avisos sobre o acúmulo de gelo e alertou oito vezes sobre a perda de velocidade provocada pelo peso excessivo na fuselagem.

  2. Falha do Sistema Anti-Gelo: O equipamento de degelo apresentou mau funcionamento e foi desligado. Em descumprimento aos manuais de aviação, os pilotos não reativaram o sistema para teste nem alteraram a rota para altitudes mais baixas com temperaturas mais amenas.

  3. Carga Cognitiva e Fator Humano: Minutos antes da queda, a tripulação lidava simultaneamente com os procedimentos de descida, a sobrecarga de mensagens de erro no painel, as condições meteorológicas severas e as comunicações com o controle de tráfego aéreo. A saturação de informações comprometeu a capacidade de resposta dos pilotos.

  4. Perda de Controle: A reação tardia aos alertas associada ao acúmulo severo de gelo levou o ATR-72 a perder sustentação e entrar em parafuso chato até o impacto com o solo.



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