A classe artística e cultural brasileira reuniu-se nesta quinta-feira (23) no Palácio da Cidade, no Rio de Janeiro, para o velório do cineasta, fotógrafo e produtor Luiz Carlos Barreto, o "Barretão". Falecido na quarta-feira (22), aos 98 anos, o cearense radicado no Rio deixa um legado divisor de águas na consolidação e na projeção internacional do audiovisual nacional.
Reconhecimento Internacional: A partir do olhar da fotografia, Barreto retratou as dinâmicas sociais brasileiras em produções que alcançaram prestígio em festivais de relevância global, como Cannes, além de indicações ao Oscar.
Dinastia Familiar no Cinema: Ao lado da esposa, a produtora Lucy Barreto, construiu uma das produtoras mais prolíficas do país, estendendo a atuação aos filhos — entre eles, o cineasta Bruno Barreto — e criando um ecossistema de formação para técnicos, atores e diretores.
Durante as homenagens, Bruno Barreto compartilhou uma memória histórica envolvendo o pai, que atuou como fotógrafo da revista O Cruzeiro:
A Taça de 1958: O gesto tradicional do capitão da Seleção Brasileira erguer o troféu da Copa do Mundo nasceu de um pedido de Barretão a Hilderaldo Bellini em 1958. Posicionado atrás de outros fotógrafos, Barreto pediu ao jogador que levantasse o troféu para conseguir o ângulo da imagem, criando um ritual adotado mundialmente desde então.
Ambiente de Criação: O diretor também recordou o ambiente doméstico cercado pela produção audiovisual, como a convivência com a cadela Baleia (do filme Vidas Secas) e o uso da primeira moviola horizontal Steenbeck do país por nomes como Ruy Guerra e Arnaldo Jabor.
"Luiz Carlos foi maior do que o cinema. Foi um grande pensador e articulador de um projeto de Brasil atravessado pela cultura. Era uma pessoa que nunca se desconectou da ideia de construir uma sociedade melhor."
— Antonia Pellegrino, presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).
Idealização do Canal Brasil: O diretor do Canal Brasil, André Saddy, e o produtor Marco Altberg destacaram que a criação de uma emissora voltada exclusivamente para a produção cinematográfica nacional partiu do pioneirismo e da articulação direta de Barreto.
Formação de Novos Talentos: Cineastas como Anne Pinheiro Guimarães reforçaram o papel de Barretão como mentor e incentivador de novas gerações de realizadores no país.
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