Lançado em julho de 1956, o romance Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa, completa 70 anos e se torna o destaque da programação paralela e gratuita da 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). As atividades começaram nesta quarta-feira (22) e seguem até domingo (26).
O Sesc Santa Rita e a Casa Brasil de Histórias recebem uma série de painéis, performances e debates inspirados no universo rosiano:
Quinta-feira (23):
10h30: Contação de histórias Veredas de histórias: contos do grande sertão, com o narrador Wilson Jequitibá (repetida na sexta-feira).
11h00: Conferência com o escritor Itamar Vieira Junior (Torto Arado), abordando a linguagem do livro, memória, identidade e território.
Ao longo do dia: Palestra-performance Electro-xamanismo e o algoritmo do pacto, conduzida por Fausto Fawcett.
17h30: Apresentação musical Viola, Rosa e Sertão, do violeiro e pesquisador Paulo Freire, inspirada no cotidiano e nos cocos de viola da região do Urucuia.
19h30: Bate-papo entre Bruna Lombardi (que interpretou Diadorim na minissérie de 1985 e escreveu Diário do grande sertão) e a escritora Tati Bernardi.
Sábado (25):
15h00: Encontro na Casa Brasil de Histórias com a escritora Conceição Evaristo, a ministra do STF Cármen Lúcia e a jornalista Miriam Leitão (ABL), debatendo questões de ética, justiça e memória na obra.
Apesar de ser rotulado por parte da crítica como um livro denso, Grande Sertão: Veredas figura entre os mais vendidos desde o seu lançamento em 1956.
Segundo o jornalista e biógrafo Leonêncio Nossa, a leitura da obra ganha força quando feita em voz alta devido à sua musicalidade marcante. Ele lembra que, na época do lançamento, intelectuais acusavam o autor de ter inventado um idioma próprio. Guimarães Rosa, porém, rebatia explicando que apenas reproduzia a forma real como falavam os vaqueiros de Minas Gerais, Bahia e Goiás.
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