Representantes de diversos povos indígenas do país estão reunidos na capital federal para exigir que o governo oficialize a Comissão Nacional da Verdade Indígena (CNIV). O encontro, que ocorre na Casa de Retiro Assunção até a próxima quinta-feira (23), é liderado pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) em parceria com o Instituto de Políticas Relacionais (IPR) e o Obind/UnB (Observatório dos Direitos e Políticas Indigenistas).
A proposta para a criação do órgão não é nova: no fim do ano passado, o governo federal recebeu o texto final de uma minuta de decreto, respaldado por pareceres jurídicos e assinado por 58 instituições.
O evento reúne sobreviventes e membros do Fórum Memória, Verdade, Reparação Integral, Não Repetição e Justiça para os Povos Indígenas para expor crimes cometidos pelo Estado brasileiro durante o regime militar. Entre os principais pontos discutidos no encontro, destacam-se:
Prisões clandestinas e trabalho escravo: Depoimentos relembram a existência de centros de detenção ilegais montados dentro de territórios indígenas e geridos pelo antigo Serviço de Proteção ao Índio (SPI) e pela Funai. Nesses locais, indígenas — como os do povo Guarani — sofriam torturas e eram submetidos a trabalho forçado.
Documentos inéditos: O grupo apresentará oito relatórios inéditos comprovando ações violentas cometidas pelos governos militares autoritários contra os povos originários.
Lançamento histórico: Durante a programação, será lançado o livro Povos Indígenas e Justiça de Transição: Registros de Memórias que Denunciam Violências. Fruto de sete anos de apuração, a obra reúne relatos sobre genocídio, tortura e remoção compulsória de comunidades, trazendo na capa a imagem de um ancião indígena torturado durante o período.
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