A transformação de bibliotecas públicas e comunitárias em centros ativos de conscientização social e mediação cultural é a proposta central do projeto Medeia.Info. Idealizada pela pesquisadora e docente Luciane Cavalcante, a iniciativa atua no fortalecimento de ações pedagógicas voltadas ao combate à violência de gênero e ao enfrentamento da misoginia, transcendendo o modelo tradicional de acesso estático a acervos bibliográficos.
A iniciativa ganha tração em um momento crítico de proliferação de discursos de ódio no ambiente digital, direcionando suas estratégias tanto para a capacitação de profissionais da informação quanto para o engajamento lúdico de crianças e adolescentes no ambiente escolar.
O projeto fundamenta-se no conceito de que o acesso à informação precisa ser acompanhado por ferramentas práticas de estruturação do pensamento crítico:
Capacitação de Educadores: O Medeia.Info promove palestras, debates e cursos de extensão para bibliotecários e agentes culturais. A meta é ensinar esses profissionais a reconhecer as diferentes manifestações da violência de gênero e a desenhar atividades educativas integradas às realidades das comunidades em que atuam.
Ameaça do Extremismo Digital: A atuação no ecossistema escolar responde à crescente circulação de conteúdos masculinistas e termos misóginos na internet. Segundo dados da pesquisa TIC Kids Online Brasil, 83% das crianças e adolescentes de 9 a 17 anos no país possuem perfis em redes sociais, figurando como público vulnerável à cooptação por discursos de hierarquização social de gênero durante a fase de formação de identidade.
Abordagem Lúdica e Gamificação: Para atrair o público jovem, o projeto defende metodologias interativas, como a criação pelos próprios alunos de jogos digitais focados na prevenção à violência. Contudo, a coordenação ressalta que a escassez de recursos estruturais nas bibliotecas escolares ainda representa um grande desafio operacional, exigindo parcerias multidisciplinares.
Com forte ancoragem científica, o projeto Medeia.Info articula o conhecimento acadêmico com a linguagem acessível do dia a dia:
Vínculo Institucional: A iniciativa é vinculada ao Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT) e conta com o financiamento e suporte do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj).
Tradução do Conhecimento: Nas plataformas digitais, o projeto reúne assistentes sociais, psicólogos e juristas para "traduzir" artigos e teses científicas complexas sobre igualdade de gênero em conteúdos didáticos de fácil assimilação pelo público leigo.
Atuação Presencial e Expansão: As ações presenciais de extensão são sediadas prioritariamente na Biblioteca Parque Estadual, no centro do Rio de Janeiro. O objetivo a curto prazo é expandir o modelo de oficinas para redes de bibliotecas comunitárias, universitárias e escolares em outras regiões do país.
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