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Exposição no MAC Dragão Ressignifica o Terror como Força Criativa da População LGBT+ em Fortaleza

Por Redação TV SDB
20/07/2026 - Atualizado às 13:49


Imagem: Trojany/Exposição Terror Celestial

O Museu de Arte Contemporânea do Ceará (MAC Dragão), localizado em Fortaleza, abriu ao público neste sábado (18 de julho de 2026) a exposição "Terror celestial". A mostra, que permanece em cartaz até o dia 4 de outubro, reúne trabalhos de 24 artistas visuais com o objetivo de subverter o imaginário social do medo, transmutando estigmas históricos de rejeição e violência em vetor de potente expressão poética e artística.

Com curadoria do pesquisador Lucas Dilacerda — que mapeou cerca de 300 portfólios para compor um recorte marcado pela interseccionalidade de raça, território e gerações —, a exposição propõe um debate sobre como a comunidade LGBT+ reconfigura os traumas provocados por discursos de opressão.

Do Trauma à Transmutação: A Desconstrução da "Monstruosidade"

A concepção teórica do projeto investiga o mecanismo psicológico pelo qual a sociedade projeta seus medos inconscientes sobre corpos dissidentes para reafirmar padrões normativos:

  • Ressignificação da Violência: Historicamente alvo de rotulações que associavam suas existências à aberração, ao "estranho" ou à monstruosidade, a população LGBT+ passa a utilizar esses mesmos elementos estéticos e narrativos não mais como instrumentos de marginalização, mas como linguagem de emancipação e alívio catártico.

  • Acessibilidade Universal: A mostra foi estruturada com recursos de inclusão comunicacional, disponibilizando audiodescrição, tradução em Libras e pranchas de comunicação alternativa acessíveis via plataforma digital por QR Code ou com apoio de mediadores educativos.

Os Três Eixos Curatoriais de "Terror Celestial"

A exposição organiza suas produções artísticas — que variam entre pintura, escultura, performance, vídeo e instalações com materiais orgânicos como barro, óxido de ferro, sal e giz — em três diretrizes temáticas centrais:

  • Monstros e Quimeras: Explora a ideia de monstruosidade como uma força que transcende a definição ocidental rígida de humanidade. As obras articulam seres híbridos e místicos que borram as fronteiras entre os reinos animal, vegetal, mineral e das forças da natureza. (Artistas: Davi Ângelo, Higo José, insiranomeaqui, Jonas Van, Juno B, Luciana Magno, Maurício Coutinho e Trojany).

  • Espiritualidade Terrena: Aborda a tensão histórica com dogmas religiosos tradicionais e contrapõe a busca por cura em cosmovisões indígenas, saberes de matriz africana e tradições populares conectadas com a natureza. (Artistas: Carnaval no Inferno, Darwin Marinho, Charles Lessa, Isadora Ravena, Georgia Vitrilis, Honório Félix, Nicolas Gondim, Pedra Silva e Sérgio Gurgel).

  • Terror das Formas: Parte do conceito de "terrorismo de gênero" entendido como desobediência estética. Os trabalhos tensionam e desestabilizam as gramáticas acadêmicas convencionais do campo das artes visuais. (Artistas: Antonio Breno, Bárbara Banida, Camila Albuquerque, Céu Vasconcelos, Gi Monteiro, Jonas Pinheiro e plantomorpho).



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