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Fazenda Defende "Reciprocidade" Jurídica e Recusa Negociar o Pix com os EUA

Por Redação TV SDB
18/07/2026 - Atualizado às 13:25


Imagem: Tomaz Silva/Agência Brasil

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou na sexta-feira (17 de julho de 2026) que o governo brasileiro está avaliando a aplicação de medidas de reciprocidade em resposta à sobretaxa de 25% imposta pelos Estados Unidos aos produtos nacionais. Em coletiva realizada em São Paulo, o ministro enfatizou que a estratégia de Brasília não adota o termo "retaliação", mas sim o uso de prerrogativas legais aprovadas de forma unânime pelo Congresso Nacional para salvaguardar a estabilidade econômica e os interesses das empresas do país.

Apesar do acirramento nas relações comerciais, Durigan garantiu que o Brasil não fechará as portas para o diálogo e pretende intensificar as frentes de negociação com representantes de Washington nos próximos meses.

O Mecanismo de Reciprocidade e o Contexto Macroeconômico

A resposta brasileira está sendo desenhada em estreita colaboração com o setor empresarial, buscando calibrar a intensidade e o cronograma de quaisquer medidas defensivas:

  • Instrumento Legal Soberano: O ministro destacou que o Executivo utilizará um procedimento próprio instituído por lei pelo Congresso Nacional. Esse arcabouço jurídico foi estruturado especificamente para blindar o mercado nacional contra ataques comerciais unilaterais ou injustificados.

  • Assimetria da Balança Comercial: A Fazenda contestou o fundamento técnico das sanções norte-americanos relembrando que o Brasil historicamente registra um deficit comercial estrutural no intercâmbio de bens e serviços com os EUA. Na prática, o fluxo financeiro atual gera superavit para o mercado norte-americano, tornando a punição tarifária economicamente contraditória.

  • Insubsistência dos Pretextos Técnicos: Durigan classificou as justificativas da administração de Donald Trump como falsas, apontando que Washington desconsiderou os debates setoriais e tentou ressuscitar alegações em relação ao desmatamento que não guardam relação com a realidade ambiental recente do país.

Red Line Diplomática: A Intangibilidade do Pix

A equipe econômica demarcou um limite inegociável nas conversas bilaterais, rechaçando qualquer possibilidade de ceder a pressões estrangeiras sobre a arquitetura financeira doméstica:

  • Infraestrutura Pública: O sistema Pix foi classificado pelo ministro como uma linha vermelha absoluta que jamais será incluída em mesas de negociação, sendo preservado integralmente como um serviço público essencial oferecido aos cidadãos.

  • Refutação de Concorrência Desleal: O governo brasileiro considerou um absurdo completo a tentativa dos EUA de classificar o arranjo de pagamentos instantâneos como prática desleal de comércio. A Fazenda defende que o Pix opera como uma plataforma pública aberta desenvolvida pelo Banco Central, cujo impacto real foi a expansão e modernização de todo o ecossistema de transações (incluindo cartões e operações à vista) no país, sem ferir a livre concorrência.

O Componente Político-Eleitoral: Para a ala econômica do governo, o esgotamento dos argumentos técnicos por parte de Washington evidencia que o tarifaço possui motivação estritamente política, voltada para o consumo do eleitorado interno norte-americano. Durigan lamentou o apoio de setores políticos domésticos à medida externa, acusando-os de instrumentalizar prejuízos infligidos a empresas e trabalhadores brasileiros como muleta eleitoral para colher dividendos políticos locais.



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