O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou na sexta-feira (17 de julho de 2026) que o governo brasileiro está avaliando a aplicação de medidas de reciprocidade em resposta à sobretaxa de 25% imposta pelos Estados Unidos aos produtos nacionais. Em coletiva realizada em São Paulo, o ministro enfatizou que a estratégia de Brasília não adota o termo "retaliação", mas sim o uso de prerrogativas legais aprovadas de forma unânime pelo Congresso Nacional para salvaguardar a estabilidade econômica e os interesses das empresas do país.
Apesar do acirramento nas relações comerciais, Durigan garantiu que o Brasil não fechará as portas para o diálogo e pretende intensificar as frentes de negociação com representantes de Washington nos próximos meses.
A resposta brasileira está sendo desenhada em estreita colaboração com o setor empresarial, buscando calibrar a intensidade e o cronograma de quaisquer medidas defensivas:
Instrumento Legal Soberano: O ministro destacou que o Executivo utilizará um procedimento próprio instituído por lei pelo Congresso Nacional. Esse arcabouço jurídico foi estruturado especificamente para blindar o mercado nacional contra ataques comerciais unilaterais ou injustificados.
Assimetria da Balança Comercial: A Fazenda contestou o fundamento técnico das sanções norte-americanos relembrando que o Brasil historicamente registra um deficit comercial estrutural no intercâmbio de bens e serviços com os EUA. Na prática, o fluxo financeiro atual gera superavit para o mercado norte-americano, tornando a punição tarifária economicamente contraditória.
Insubsistência dos Pretextos Técnicos: Durigan classificou as justificativas da administração de Donald Trump como falsas, apontando que Washington desconsiderou os debates setoriais e tentou ressuscitar alegações em relação ao desmatamento que não guardam relação com a realidade ambiental recente do país.
A equipe econômica demarcou um limite inegociável nas conversas bilaterais, rechaçando qualquer possibilidade de ceder a pressões estrangeiras sobre a arquitetura financeira doméstica:
Infraestrutura Pública: O sistema Pix foi classificado pelo ministro como uma linha vermelha absoluta que jamais será incluída em mesas de negociação, sendo preservado integralmente como um serviço público essencial oferecido aos cidadãos.
Refutação de Concorrência Desleal: O governo brasileiro considerou um absurdo completo a tentativa dos EUA de classificar o arranjo de pagamentos instantâneos como prática desleal de comércio. A Fazenda defende que o Pix opera como uma plataforma pública aberta desenvolvida pelo Banco Central, cujo impacto real foi a expansão e modernização de todo o ecossistema de transações (incluindo cartões e operações à vista) no país, sem ferir a livre concorrência.
O Componente Político-Eleitoral: Para a ala econômica do governo, o esgotamento dos argumentos técnicos por parte de Washington evidencia que o tarifaço possui motivação estritamente política, voltada para o consumo do eleitorado interno norte-americano. Durigan lamentou o apoio de setores políticos domésticos à medida externa, acusando-os de instrumentalizar prejuízos infligidos a empresas e trabalhadores brasileiros como muleta eleitoral para colher dividendos políticos locais.
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