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Morre o Jornalista Renato Machado, aos 83 Anos

Por Redação TV SDB
17/07/2026 - Atualizado às 13:06


Imagem: Guto Costa/Divulgação

O telejornalismo brasileiro perdeu um de seus nomes mais emblemáticos. O jornalista, apresentador e correspondente internacional Renato Machado faleceu na manhã desta quinta-feira (16 de julho de 2026), aos 83 anos, na Clínica São Vicente, localizada na Gávea, Zona Sul do Rio de Janeiro.


Com uma carreira que atravessou mais de quatro décadas na TV Globo, Renato Machado marcou época pela erudição, sobriedade e estilo refinado de conduzir a notícia, tendo sido uma das vozes mais marcantes da cobertura de grandes eventos históricos contemporâneos.


Grandes Coberturas Globais e o Olhar Internacional


Renato Machado consolidou-se como um dos principais correspondentes internacionais da televisão brasileira, dividindo sua trajetória em Londres em dois momentos fundamentais e cobrindo eventos de impacto geopolítico global:


  • Guerra das Malvinas (1982): Um de seus primeiros grandes desafios na TV Globo, cobrindo o conflito armado entre Argentina e Reino Unido.


  • Crises Europeias (1986): Direto de Londres, reportou os atentados terroristas em Paris e o desastre nuclear de Chernobyl.


  • História Recente (2011–2015): Em seu segundo período na Europa, cobriu a crise econômica na Grécia, as celebrações dos 95 anos de Nelson Mandela e o trágico atentado à redação do jornal Charlie Hebdo, em Paris


A Revolução do Bom Dia Brasil (1996–2010)


Durante 14 anos, Renato Machado ocupou as funções de apresentador e editor-chefe do Bom Dia Brasil. Sob o seu comando, o telejornal matutino passou por uma de suas reformas estruturais mais importantes:


Inovação no Formato: Renato liderou a transição para um modelo mais dinâmico e menos engessado. Ele introduziu maior interação entre os âncoras na bancada (dividida com Leilane Neubarth e, posteriormente, com Renata Vasconcellos), ampliou o uso do espaço físico do estúdio e intensificou a participação ao vivo de comentaristas de política, economia e repórteres de rua.


Linha do Tempo: Os Marcos de uma Carreira Multifacetada


A trajetória profissional de Renato Machado foi marcada por uma versatilidade rara, combinando jornalismo de alta complexidade, artes cênicas e crítica cultural. Essa jornada multifacetada teve início em 1965, quando o profissional realizou suas primeiras atuações como ator em novelas da TV Globo e da TV Excelsior, integrando o elenco de produções como Rosinha do Sobrado e A Moreninha.

Sua transição definitiva para a comunicação formal ocorreu em 1969, ano em que ingressou como repórter no Jornal do Brasil, consolidando sua base na imprensa escrita. Em 1982, Machado foi contratado pela TV Globo, sendo imediatamente enviado para a cobertura da Guerra das Malvinas, um marco que impulsionou sua carreira na televisão. O destaque no front internacional garantiu sua transferência para o escritório da emissora em Londres, onde cumpriu sua primeira temporada como correspondente na Europa entre 1983 e 1988.

Na década de 1990, o jornalista passou a conciliar a cobertura factual com suas paixões pessoais. Entre 1993 e 2006, assinou a coluna semanal "Em volta da mesa" no jornal O GLOBO, tornando-se referência em gastronomia e enologia. Paralelamente, viveu um de seus períodos de maior visibilidade pública entre 1996 e 2010, quando assumiu as funções de âncora e editor-chefe do Bom Dia Brasil, liderando uma revolução estética e dinâmica no jornalismo matutino da emissora.

Em 2011, Renato Machado retornou a Londres para sua segunda temporada como correspondente internacional, permanecendo no posto até 2015 e liderando coberturas de forte impacto geopolítico. Nos anos recentes, o jornalista dedicou-se à consolidação de seu trabalho como crítico cultural de vinhos em suas redes sociais e na televisão por assinatura, onde apresentou o programa Menu Confiança no canal GNT, ao lado do chef Claude Troisgros.


Da Escola do Teatro Oficina à Paixão pelos Vinhos


O ecletismo de Renato Machado era uma de suas características mais admiradas por colegas de profissão. Antes de se firmar no jornalismo, integrou o icônico Teatro Oficina em São Paulo, atuando em clássicos como A Tempestade de Shakespeare e Antígona. Sua bagagem cultural refinada facilitou, anos mais tarde, sua transição para o jornalismo cultural e gastronômico. Ele tornou-se uma das principais referências do país em enologia, assinando colunas na rádio CBN, no jornal O GLOBO e produzindo séries especiais de viagens e culinária para o Jornal Hoje.


"Para ser telejornalista é necessário um acúmulo de conhecimento. É saber curiosidades sobre grua, tráfego de câmera, enquadramento, cores, texto, edição. É uma troca. Um universo de aprendizado que, a cada dia, você vê que você erra."

— Renato Machado, em depoimento registrado para o projeto Memória Globo.



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