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Flávio Dino Alarga Investigações da PF e Bloqueia Bens de Valdemar Costa Neto e Eduardo Cunha

Por Redação TV SDB
15/07/2026 - Atualizado às 14:12


A ofensiva jurídica contra o desvio e a falta de transparência no uso de recursos públicos ganhou um novo e contundente capítulo. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, determinou que a Polícia Federal (PF) aprofunde e amplie as investigações sobre o esquema de distribuição de emendas parlamentares.

A decisão, proferida nesta terça-feira (14 de julho de 2026), baseia-se em relatórios técnicos detalhados da Controladoria-Geral da União (CGU) e do Departamento Nacional de Auditoria do SUS (Denasus), que apontam um rastro de fraudes licitatórias, superfaturamento e descontrole administrativo em dezenas de municípios pelo país.

O Raio-X da CGU: As Falhas nas "Emendas PIX" e na Saúde

A pedido do próprio STF, a CGU passou um pente-fino na execução orçamentária de recursos públicos federais. Os auditores dividiram o trabalho em duas frentes principais de fiscalização:

Modalidade de EmendaEscopo da AuditoriaPrincipais Problemas Identificados
"Emendas PIX" (2020 a 2024)Amostra de 15 municípios nas cinco regiões do Brasil.Irregularidades em 9 das 14 prefeituras que executaram os valores, com indícios claros de direcionamento de licitações, sobrepreço e superfaturamento.
Emendas da Saúde (Denasus)R$ 53,3 milhões enviados a 48 municípios (23 estados) para custeio de UBSs e compra de equipamentos.Embora o dinheiro tenha sido gasto, há invisibilidade financeira: falta de rastreabilidade do dinheiro, ausência de monitoramento sistemático e notas fiscais frágeis.

Bloqueio de R$ 6 Milhões e Enfrentamento à PGR

Em um posicionamento firme, o ministro Flávio Dino determinou o bloqueio imediato de bens de figuras de peso do cenário político nacional, contrariando um parecer emitido pela Procuradoria-Geral da República (PGR) na semana anterior.

A medida de congelamento de ativos atingiu diretamente:

  • Valdemar Costa Neto: Presidente nacional do Partido Liberal (PL).

  • Eduardo Cunha (Republicanos-MG): Ex-presidente da Câmara dos Deputados.

No total, foram bloqueados R$ 6 milhões das contas correntes dos investigados no suposto esquema de desvio de finalidade das verbas do orçamento.

"Privatização do Orçamento Público"

Em seu despacho, Flávio Dino teceu duras críticas à engenharia política por trás da distribuição do dinheiro público. O ministro condenou a existência de um suposto "mercado de terceirização" do orçamento nacional e o fato de ex-parlamentares, mesmo sem mandato ativo ou cargo eletivo, continuarem ditando ordens a servidores do Congresso para manejar cotas financeiras.

A posição do Ministro: "É totalmente anômalo que ex-parlamentares mantenham cotas orçamentárias informais e, diretamente, transmitam ordens para funcionários da Casa Parlamentar. As emendas parlamentares não são parcelas do patrimônio privado de cada membro do Congresso."

— Flávio Dino, ministro do STF.

Para o magistrado, essa articulação informal configura uma "vinculação esdrúxula" com projetos eleitorais futuros. Diante disso, a decisão impõe ao governo federal a obrigação imediata de adotar critérios muito mais rígidos e auditáveis de rastreabilidade, transparência e controle sobre o destino de cada centavo das emendas.



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