O campus Darcy Ribeiro da Universidade de Brasília (UnB) se transformará no epicentro da produção científica antirracista do país. Entre os dias 28 e 31 de julho de 2026, a instituição sediará o 14º Congresso Nacional de Pesquisadores(as) Negros(as) (Copene). O evento é consolidado como o maior encontro de intelectuais, acadêmicos e estudiosos negros do Brasil e contará também com a participação de pesquisadores de diversos países da América Latina.
O congresso é organizado em formato de cooperação pelo Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da UnB (NEAB/UnB), pela Associação Brasileira de Pesquisadores(as) Negros(as) (ABPN) e pelo Consórcio Nacional de Núcleos de Estudos Afro-Brasileiros (CONNEABS).
A escolha da UnB como sede carrega um forte simbolismo: em 2003, a universidade foi a pioneira no país a adotar um programa próprio de ações afirmativas com cotas raciais. Atualmente, o modelo estendeu-se a todas as 69 universidades federais brasileiras por força da Lei de Cotas (Lei 12.711/2012).
Embora as políticas afirmativas tenham impulsionado a diversidade no ambiente acadêmico, os dados oficiais do Censo Demográfico do IBGE e do CNPq revelam que o Brasil ainda enfrenta distorções estruturais para alcançar a equidade proporcional:
| Indicador de Escolaridade e Pesquisa | Índice em 2000 | Índice em 2022 | Desafio Frente à Realidade Geral |
| Graduação de Pessoas Pardas | 2,4% | 12,3% | Crescimento expressivo, mas ainda distante da média branca. |
| Graduação de Pessoas Pretas | 2,1% | 11,7% | Patamar que equivale a menos da metade do índice da população branca. |
| Graduação de Pessoas Brancas | — | 25,3% | Grupo com a maior taxa proporcional de ensino superior concluído. |
| Doutores Negros Líderes de Grupos no CNPq | 8,1% | 22,6% | Sub-representação, dado que pretos e pardos são 55,5% da população. |
📚 O Ecossistema da Pesquisa: Atualmente, o país contabiliza um corpo científico de aproximadamente 15 mil pesquisadores negros atuando ativamente na pós-graduação e na produção de conhecimento em território nacional.
De acordo com os coordenadores da ABPN, o Copene funciona como uma plataforma política e acadêmica essencial para o desenvolvimento social e a valorização de matrizes de conhecimento que historicamente foram marginalizadas pela ciência tradicional.
"O Copene constitui um espaço estratégico para a divulgação da produção científica, o fortalecimento de redes de pesquisa, a valorização dos saberes afrodiaspóricos e a formulação de propostas voltadas à promoção da equidade racial e da justiça social."
— Comissão Organizadora do 14º Copene.
A programação do evento está estruturada de forma multidisciplinar e prevê a realização de:
Minicursos e Oficinas Práticas: Voltados à capacitação metodológica e escrita científica;
Painéis e Mesas-Redondas: Debates focados na elaboração de diagnósticos de segurança pública, saúde da população negra e direito à terra;
Lançamentos Literários: Apresentação de dezenas de livros e coletâneas científicas inéditas produzidas por autores negros.
O encontro projeta-se como um marco para a consolidação de redes nacionais de pesquisa, conectando laboratórios de diferentes estados para fortalecer o desenvolvimento de políticas públicas baseadas em evidências sociais.
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