O mercado financeiro brasileiro encerrou a semana com uma forte onda de otimismo nesta sexta-feira (10 de julho). Embalada por dados macroeconômicos domésticos animadores e uma maior disposição ao risco no exterior, a bolsa de valores registrou uma de suas melhores sessões do ano, operando na máxima do dia.
O grande gatilho para a performance dos ativos locais foi a divulgação do IPCA de junho, que veio abaixo do teto projetado pelos analistas e pavimentou o caminho para uma postura mais flexível do Banco Central na condução dos juros básicos.
Abaixo estão os principais indicadores do fechamento do pregão e o comportamento das commodities sob o impacto das tensões internacionais:
| Indicador | Fechamento Atual | Variação Diária | Status no Mercado |
| Ibovespa | 177.866,37 pontos | +2,97% | Maior nível de fechamento desde 14 de maio |
| Dólar Comercial | R$ 5,108 | -0,31% | Menor valor de fechamento em três semanas |
| Petróleo Brent | US$ 76,01 / barril | -0,38% | Recuo diário, mas acumula alta de 5,39% na semana |
| Petróleo WTI | US$ 71,41 / barril | -0,93% | Referência do Texas acompanha realização de lucros |
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de junho foi o grande protagonista do dia. A inflação oficial do país desacelerou de forma expressiva para 0,16% (vinda de uma alta de 0,58% registrada em maio). Com esse resultado, o acumulado de 12 meses posicionou-se em 4,64%.
A leitura do mercado foi imediata:
Pressão Menor no Copom: O arrefecimento dos preços dá fôlego para que o Comitê de Política Monetária (Copom) volte a cortar a taxa Selic na reunião de agosto.
Vantagem para as Empresas: Juros mais baixos reduzem o custo do crédito corporativo, diminuem as despesas financeiras e aumentam o valor presente do lucro futuro das companhias listadas na B3. Dos 79 papéis que integram o Ibovespa, apenas um fechou no vermelho.
Com o desempenho de hoje, a bolsa consolidou sua terceira semana consecutiva de ganhos, acumulando uma alta de 3,40% em julho e uma valorização robusta de 10,39% no acumulado de 2026. O volume financeiro negociado foi expressivo, somando R$ 24,99 bilhões.
A moeda norte-americana engatou sua terceira sessão seguida de baixa, recuando 0,31% para fechar cotada a R$ 5,108. Na mínima do pregão, o dólar chegou a tocar a barreira dos R$ 5,098.
Esse recuo garantiu ao real o posto de uma das moedas de melhor desempenho global no dia, acompanhando a rotação de capital de investidores estrangeiros para mercados emergentes. No balanço de 2026, o dólar acumula uma desvalorização de 6,94% frente à divisa brasileira.
Mesmo com os desdobramentos e a continuidade dos atritos armados e diplomáticos entre os Estados Unidos e o Irã, os contratos futuros do petróleo fecharam em leve queda técnica.
O foco dos operadores concentrou-se na logística de escoamento no Estreito de Ormuz, uma das artérias mais vitais do comércio energético global (por onde transita 20% do petróleo mundial). Embora as petroleiras tenham reduzido o fluxo de navios cargueiros na região por segurança, a rota permaneceu aberta ao tráfego marítimo, o que esvaziou os temores imediatos de um desabastecimento agudo de curto prazo na economia global.
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