O mundo da música pop e do rock clássico perdeu um de seus timbres mais potentes e marcantes. A cantora britânica Bonnie Tyler faleceu aos 75 anos em um hospital em Portugal. O anúncio oficial foi divulgado em seu site nesta quinta-feira (9 de julho), informando que a artista partiu "inesperadamente" em decorrência da doença para a qual estava sob cuidados médicos.
A saúde da cantora galesa vinha inspirando cuidados severos desde maio, quando ela passou por uma cirurgia de emergência no intestino e precisou ser colocada em coma induzido. Embora tivesse saído do coma no mês passado, ela permaneceu internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) devido à gravidade de seu quadro clínico.
Nascida sob o nome de Gaynor Hopkins em Skewen, um pequeno vilarejo no País de Gales, a jovem apaixonada por rock passou sete anos se apresentando de forma humilde em clubes de rúgbi e agremiações de trabalhadores locais.
A reviravolta em sua trajetória aconteceu quando o agente Roger Bell a descobriu cantando em uma boate na cidade de Swansea. Levada para Londres, ela precisou escolher um novo nome artístico para deixar para trás o pseudônimo temporário de Sherene Davies — que a gravadora RCA considerava inadequado por "soar como dançarina do ventre".
A Origem do Nome: "Peguei um jornal e escrevi todos os primeiros nomes que encontrei em uma lista e todos os sobrenomes em outra. Depois, compilei as duas listas e cheguei a Bonnie Tyler. E tem sido um nome brilhante", relembrou a cantora em sua biografia.
Apelidada carinhosamente pela crítica como "a Rod Stewart feminina" por conta de sua voz rouca, potente e cheia de personalidade, Bonnie pavimentou uma carreira sólida que atravessou cinco décadas.
Embora tenha conquistado as paradas britânicas em 1977 com o single Lost in France, foi em 1983 que a vida de Bonnie Tyler mudou drasticamente. O compositor Jim Steinman apresentou a ela uma balada dramática de rock chamada Total Eclipse of the Heart.
A gravação original era considerada longa demais para os padrões comerciais da época, somando oito minutos de duração. No entanto, uma versão editada de quatro minutos foi distribuída para as rádios e transformou-se em um fenômeno avassalador: a música permaneceu semanas consecutivas no topo das paradas do Reino Unido e dos Estados Unidos.
O legado dessa canção segue vivo na era digital:
Spotify: Alcançou a marca histórica de 1 bilhão de reproduções na plataforma de streaming.
YouTube: O videoclipe oficial ultrapassou a barreira de 1,3 bilhão de visualizações.
Ao longo de 43 anos interpretando o clássico nos palcos, Bonnie garantia categoricamente que jamais havia se cansado de cantá-lo.
A discografia da cantora galesa é repleta de hinos que marcaram a cultura pop e trilhas sonoras de cinema. Veja os principais destaques de sua carreira de 50 anos:
| Categoria | Títulos de Destaque / Conquistas |
| Principais Hits Globais | Total Eclipse of the Heart • Holding out for a Hero • It's A Heartache • Together • If You Were A Woman (And I Was A Man) |
| Indicações ao Grammy | Três indicações na categoria de Melhor Performance Vocal Feminina (pelos singles 'Total Eclipse' e 'Here She Comes', e pelo álbum 'Faster Than The Speed Of Night') |
| Eurovision | Representou oficialmente o Reino Unido no tradicional festival de música em 2013 |
| Honraria Real | Condecorada com a Ordem do Império Britânico (MBE) em 2022 pelo príncipe William |
Fora dos palcos, Bonnie Tyler dividia seu tempo e suas 22 propriedades ao redor do mundo ao lado do marido, Robert Sullivan, com quem foi casada por décadas. Embora viesse de uma família numerosa e declarasse abertamente o seu amor por crianças, o casal não teve filhos. Bonnie sofreu um aborto espontâneo aos 40 anos e, após novas tentativas sem sucesso, optou por canalizar toda a sua energia em sua carreira musical e em turnês mundiais.
Em 2023, ela eternizou suas memórias na autobiografia Straight from the Heart ("Direto do Coração"), celebrando a jornada improvável de uma menina tímida do interior de Gales que conquistou as multidões. Bonnie Tyler deixa um legado eterno como a estrela que provou que as mulheres não precisam apenas esperar por um herói — elas podem comandar o espetáculo.
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