Em uma tentativa de conter o desabastecimento e aliviar o custo do frete no país, o Ministério da Fazenda apresentou, na manhã desta quarta-feira (18), uma proposta ousada aos secretários estaduais de Fazenda: a isenção total do ICMS sobre a importação de diesel até o dia 31 de maio de 2026.
Para convencer os governadores, a União ofereceu uma compensação financeira que cobre exatamente 50% do impacto da medida. Na prática, para cada R$ 1,00 que o estado deixar de arrecadar, o governo federal repassará R$ 1,00 via subvenção direta.
Os Números da Manobra
O custo estimado da operação é de R$ 6 bilhões no total, divididos em:
Atualmente, a alíquota única do ICMS sobre o diesel é de R$ 1,17 por litro. Pelo desenho proposto pelo secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan, os estados zerariam essa cobrança para os importadores, e a União pagaria aos cofres estaduais o equivalente a R$ 0,585 por litro.
Foco nos Importadores e na Guerra Externa
Diferente de medidas anteriores, esta ação é cirúrgica: foca apenas no diesel importado. O objetivo é remover barreiras financeiras para quem traz o combustível de fora, garantindo que não falte produto nos postos, especialmente após relatos de escassez em algumas regiões.
"Estamos fazendo o melhor possível, respeitando a governança da Petrobras e adotando medidas com neutralidade fiscal. Temos uma guerra externa que não tem nada a ver conosco, mas que implica custos às famílias e aos caminhoneiros", afirmou Durigan, em referência às tensões geopolíticas que pressionam o preço do barril.
Resistência e Desafios Jurídicos
Apesar do otimismo do governo federal, o clima entre os estados ainda é de cautela. Secretários de Fazenda levantaram dúvidas sobre dois pontos principais:
Próximos Passos
O Ministério da Fazenda deve formalizar a proposta por escrito nos próximos dias. O martelo deve ser batido na reunião presencial do Confaz (Conselho Nacional de Política Fazendária), agendada para o dia 27 de março.
Diferente do governo anterior, que baixou as alíquotas por meio de lei aprovada no Congresso, a atual gestão aposta no "comum acordo" com as unidades federativas para evitar novos entraves no pacto federativo.
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