A Rodoviária do Plano Piloto, ponto de convergência diário de milhares de brasilienses, transformou-se em um espaço de memória e luta. A exposição fotográfica "Chão Ancestral" traz ao público 35 imagens que retratam a história, a resistência e o cotidiano do Quilombo Mesquita, localizado na Cidade Ocidental (GO), comunidade que celebra 280 anos de existência.
A mostra é assinada pelo estudante de comunicação visual Walisson Braga, que cresceu na comunidade, em parceria com os fotógrafos Luiz Alves e Webert da Cruz. Para Walisson, ver seu trabalho no local por onde passa diariamente para ir à universidade é a realização de um desejo de ampliar o alcance da história de seu povo.
Para além da estética, a exposição é um ato político. O Quilombo Mesquita abriga 785 famílias (mais de três mil pessoas) que enfrentam um longo processo de titulação de suas terras.
Reconhecimento: Em dezembro de 2025, o Incra reconheceu um território de 4,1 mil hectares, área 80% superior à que a comunidade ocupa atualmente.
Ameaças: A falta de titulação definitiva expõe o território à pressão de fazendeiros de soja, que buscam se apropriar de terras ancestrais.
Tradição Viva: A comunidade mantém viva a cultura do marmelo, sendo a produção da marmelada e da geleia um símbolo de identidade e resistência cultural.
Protagonismo: A exposição homenageia especialmente as matriarcas, como Dona Elpídia Pereira, guardiãs dos saberes que sustentam a vida quilombola.
A mostra fotográfica integra a programação do Festival Latinidades, um dos maiores eventos de articulação política e cultural protagonizado por mulheres negras no Brasil. A edição deste ano coloca em foco a intersecção entre arte, saúde mental e memória afetiva.
Destaques da Programação:
Cultura e Bem-estar: Discussões sobre arte e saúde mental com as artistas Linn da Quebrada e Karol Conká, com mediação de Val Benvindo.
Lançamento: Apresentação do programa Descansa Nêga (do Fundo Agbara), focado em partilhas sobre viagens, descanso e memórias afetivas.
Humor: Apresentação do Festival Humor Negro no Museu Nacional da República.
Encerramento de Peso: Palestra com a escritora Ana Maria Gonçalves, autora do romance Um Defeito de Cor e imortal da Academia Brasileira de Letras.
A exposição "Chão Ancestral" é um convite para que a sociedade brasiliense pare, olhe e compreenda que, em meio ao concreto da rodoviária, pulsa uma história de 280 anos que reivindica, com urgência, o seu direito à terra e à dignidade. A programação completa e os detalhes das atividades podem ser conferidos no site oficial do Festival Latinidades.
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