Um levantamento recente aponta uma transformação profunda no mercado de trabalho brasileiro nos últimos três anos: a base da pirâmide socioeconômica é quem está puxando o crescimento do emprego de carteira assinada. Entre janeiro de 2023 e janeiro de 2026, as políticas de transferência de renda e inclusão produtiva resultaram na retirada de 17,5 milhões de pessoas da linha da pobreza.
O principal motor dessa mudança foi a inserção de quase 5 milhões de inscritos no Cadastro Único (CadÚnico) no mercado de trabalho formal.
Os dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) revelam um cenário em que os mais vulneráveis assumiram o protagonismo do crescimento econômico.
"O mantra que repetimos desde o primeiro dia é: trocar o cartão do Bolsa Família pela Carteira de Trabalho. Essa é a verdadeira emancipação", destaca o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias.
A mudança nos índices nacionais se reflete diretamente na trajetória de milhares de brasileiros que romperam o ciclo da vulnerabilidade por meio do acesso à educação e ao trabalho assistido.
No interior do Piauí, a trajetória de Jardel Torres da Costa, hoje com 30 anos, ilustra o impacto de longo prazo dos programas de apoio básico. Filho de pedreiro, sua infância foi marcada pela dependência do Bolsa Família e pelo suporte do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti).
Ao trocar o trabalho de subsistência na roça pelos estudos em uma escola de tempo integral em Oeiras (PI), Jardel tornou-se o primeiro aluno de sua escola a passar para o curso de Medicina, acumulando outras 11 aprovações em universidades pelo país. Atualmente, ele atua como médico na Unidade Básica de Saúde (UBS) do município de Floresta (PI).
O mercado formal também tem sido a porta de saída para quem enfrentou a extrema vulnerabilidade urbana. John Wesley Silva, de 42 anos, viveu em situação de rua durante a infância e passou pelo sistema penitenciário.
A virada de chave ocorreu após a conclusão de cursos de culinária e garçom promovidos por projetos sociais. Inserido no setor de gastronomia, John encontrou na estabilidade do emprego e no voto de confiança de sua chef de cozinha o suporte necessário para consolidar sua nova trajetória longe da criminalidade e da dependência.
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