A 4ª Parada LGBTQIA+ ocupou os Arcos da Lapa, na região central do Rio de Janeiro, unindo celebração e forte mobilização política. Sob o lema "Nosso Orgulho Também se Defende nas Urnas", o evento deste ano foi marcado pelo lançamento de um manifesto que cobra maior presença de parlamentares alinhados à comunidade no Congresso Nacional.
Aproveitando o ano eleitoral, as lideranças do movimento destacaram que as conquistas sociais da comunidade dependem diretamente da escolha de representantes no Poder Legislativo.
Indianarae Siqueira, fundadora da Casa Nem, reforçou que o voto da comunidade funcionará como uma ferramenta de resistência e defesa da democracia. Além das pautas de identidade, o discurso trouxe fortes reivindicações econômicas:
Reforma Trabalhista: Defesa explícita do fim da escala 6x1 de trabalho.
Valorização Salarial: Pedido para que o salário mínimo atinja o patamar de R$ 2 mil ainda este ano.
Inclusão Econômica: Cobrança por políticas de empregabilidade para pessoas trans e direitos justos para trabalhadores informais e autônomos.
Outro ponto crítico debatido foi a dependência que a comunidade tem do Poder Judiciário devido à omissão de deputados e senadores na criação de legislações específicas.
O coordenador do Grupo Pela Vidda-RJ, Marcio Villard, comparou a situação do Brasil com a de vizinhos como Argentina e Colômbia, que já possuem leis consolidadas aprovadas por seus parlamentos:
"Nós não temos, através do Legislativo, nenhuma lei. A gente tem garantias através da Justiça, do Supremo Tribunal Federal (STF). A LGBTfobia passou a ser equiparada ao crime de racismo em 2019 por decisão do STF, mas, na prática, não funciona.”
Villard também alertou para os seguintes problemas atuais:
Subnotificação: O aumento anual de assassinatos e episódios violentos contra a população LGBTQIA+, frequentemente camuflados pelas autoridades policiais.
Retrocessos Recentes: Tentativas políticas de proibir a realização de paradas em vias públicas, restrições à presença de crianças (ignorando as novas configurações de famílias de pais LGBTs) e barreiras para terapias hormonais antes dos 21 anos.
Organizada por uma ampla coalizão de coletivos sociais e minorias universitárias (como UFRJ, UFF e UERJ), a mobilização contou com ações práticas voltadas à cidadania, saúde e cultura:
Saúde Coletiva: Realização de testes rápidos de HIV e outras Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), além da distribuição gratuita de preservativos e gel lubrificante.
Geração de Renda: Uma feira de negócios reuniu 30 empreendedores locais da comunidade para expor seus produtos e serviços.
Lazer e Cultura: A abertura do Orgulho contou com um festival de pipas no Aterro do Flamengo e um piquenique temático na Praça Paris.
Rádio ao vivo