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Operação Contenção: MPRJ aponta que 17% dos policiais do Bope retiraram câmeras corporais

Por Redação TV SDB
26/06/2026 - Atualizado às 12:25


Imagem: Reuters

Uma investigação conduzida pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) revelou irregularidades no uso de câmeras operacionais portáteis por integrantes do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope). A análise preliminar dos equipamentos utilizados por 51 agentes durante a Operação Contenção (realizada em outubro de 2025) trouxe dados preocupantes sobre a conduta policial.

O Uso das Câmeras em Números

  • 17% dos casos: Os policiais retiraram os equipamentos do corpo durante a ação regulamentar.

  • 7,8% dos casos: Foram encontrados indícios de que os agentes obstruíram as lentes de propósito para evitar gravações.

  • 82% dos casos: Os aparelhos foram operados de maneira correta pelos policiais.

A apuração está sendo feita pelo Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (Gaesp), que já colheu o depoimento de mais de 200 policiais militares identificados pelo relatório de consumo de munição no dia do confronto.

O Contexto da Operação e Denúncias de Ilegalidade

A Operação Contenção foi deflagrada nos Complexos da Penha e do Alemão com o objetivo de combater a facção criminosa Comando Vermelho. A ação resultou em um saldo altamente letal, com mais de 120 mortes, incluindo cinco policiais militares.

Diante da gravidade dos fatos, o cenário jurídico e investigativo atual apresenta os seguintes desdobramentos:

  • Ação no STF: O ministro Alexandre de Moraes estipulou um prazo de 90 dias para que a Polícia Federal realize uma perícia minuciosa em todos os arquivos de imagem gerados pelas câmeras.

  • Policiais Denunciados: O MPRJ já formalizou oito denúncias contra 27 policiais militares. Eles são acusados de crimes como apropriação ilegal de armas, furto de peças de carros, invasão de residências, abuso de autoridade contra moradores, roubo de bens e tentativas de desligar ou cobrir as câmeras corporais.

  • Acolhimento às Vítimas e Protocolos: Além de interrogar os detidos na operação para ouvir outra versão dos fatos, o MP iniciou uma busca ativa para acolher e informar os familiares dos mortos no confronto. O órgão também ativou as diretrizes da "ADPF das Favelas" (ADPF 635) para monitorar a letalidade.

Medidas Preventivas e Recomendações

Para evitar novos episódios de violência desmedida, o Ministério Público emitiu duas recomendações importantes direcionadas às cúpulas da Segurança Pública e das Polícias Civil e Militar:

  1. Dezembro de 2025: Cobrança pela criação de um Protocolo Conjunto de Atuação focado na redução de riscos e controle da letalidade em favelas.

  2. Março de 2026: Exigência de melhorias imediatas no planejamento, fiscalização e gerenciamento do uso das câmeras corporais para assegurar a transparência das ações do Estado.



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