O Ministério da Saúde lançou a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da População em Situação de Rua. O objetivo é levar o Sistema Único de Saúde (SUS) até as pessoas mais vulneráveis, facilitando o acesso ao cuidado e combatendo ativamente preconceitos como aporofobia (aversão a pobres), racismo e LGBTQIA+fobia nas unidades de saúde.
A iniciativa conta com um investimento de R$ 144 milhões e traz mudanças práticas imediatas para o atendimento dessa população:
Fim da Burocracia Excludente: Fica expressamente proibido negar ou restringir atendimento a quem não possui o Cartão do SUS ou um endereço fixo. O acolhimento passa a ser obrigatório.
Mais Equipes nas Ruas: O número de equipes de saúde especializadas nesse público saltou de cerca de 300 para 392 em todo o Brasil.
Unidades Móveis de Rua (UMR): Até 2027, serão entregues 400 vans adaptadas aos municípios e ao Distrito Federal. Elas funcionarão como "Postos de Saúde sobre rodas", equipadas para realizar exames de sangue, consultas ginecológicas, curativos e testes rápidos diretamente nos locais onde essa população se encontra.
Para quem vive ou já viveu nas ruas, a mudança representa um marco de dignidade. Daiane Cristina Rodrigues, da Pastoral do Povo da Rua, relata que no passado era comum ter o atendimento negado por falta de endereço fixo ou simplesmente pela aparência.
O padre Júlio Lancellotti, ativista na área, destacou que as unidades móveis invertem a lógica atual: em vez de chegar repressão aos locais onde essas pessoas estão, agora chegará o cuidado médico e a saúde.
A nova política não se resume apenas a consultas, mas se apoia em sete pilares para um cuidado completo:
Atenção Integral: Foco em saúde bucal, saúde da mulher, redução de danos e acompanhamento após altas hospitalares.
Combate à Discriminação: Enfrentamento direto ao preconceito e estudos sobre como ele afeta a saúde.
Monitoramento: O campo "população em situação de rua" passa a ser obrigatório nos cadastros do SUS.
Gestão Participativa: Inclusão das próprias pessoas em situação de rua na construção das políticas.
Treinamento: Qualificação contínua dos profissionais de saúde.
Vigilância em Saúde: Criação de protocolos para proteger essas pessoas, inclusive dos impactos de eventos climáticos extremos.
Articulação entre Setores: Integração da saúde com outras áreas para garantir segurança alimentar e combater a desigualdade de forma ampla.
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