O Ministério da Fazenda, por meio da Secretaria de Política Econômica, revisou oficialmente suas projeções para 2026, elevando a estimativa da inflação oficial, o IPCA, de 3,6% para 3,7%. Essa mudança é reflexo direto da instabilidade no Oriente Médio, que empurrou a previsão do preço médio do barril de petróleo para cima de 73 dólares, um aumento de quase 11% em relação ao que era esperado anteriormente. Apesar dessa pressão nos preços, o governo decidiu manter a projeção de crescimento do PIB em 2,3%, apostando no fato de que o Brasil, como exportador líquido de óleo, acaba arrecadando mais com royalties e tributos quando a commodity valoriza, o que compensa parte do choque econômico.
Um ponto que ajuda a segurar um impacto ainda maior é a valorização do Real, já que a estimativa para o dólar caiu de 5,43 reais para 5,32 reais, servindo como um freio para a inflação importada. Outros índices, como o IGP-DI, que é mais sensível aos custos industriais e de atacado, também sofreram revisões para cima, chegando a 4,9%. Para tentar conter o repasse desses custos ao cidadão, o ministro Fernando Haddad detalhou um pacote de medidas que inclui a zeragem de impostos federais sobre o diesel e a criação de um subsídio direto, além de instituir um imposto sobre a exportação de petróleo bruto. O foco total está no diesel, devido ao seu efeito cascata no frete e no preço dos alimentos, tentando evitar que um aumento potencial de 64 centavos por litro chegue integralmente aos postos após o reajuste recente da Petrobras.
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