A defesa do senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado, protocolou um recurso no Supremo Tribunal Federal (STF) nesta segunda-feira (22) pedindo a anulação da decisão que autorizou os mandados de busca e apreensão em sua residência. O parlamentar foi o principal alvo, na última quinta-feira (18), da 9ª fase da Operação Compliance Zero, autorizada pelo ministro André Mendonça. A investigação da Polícia Federal (PF) apura supostas vantagens indevidas — incluindo um apartamento de luxo de R$ 2,5 milhões em Salvador e repasses financeiros — em troca de uma suposta atuação política em favor do Banco Master.
Na peça enviada ao STF, os advogados de Jaques Wagner classificaram a ação da Polícia Federal como equivocada e apontaram o que chamam de "erros graves" de premissa na investigação. A argumentação técnica da defesa baseia-se em três pontos públicos centrais:
Atuação Inversa: A defesa afirma que Wagner nunca trabalhou no Congresso para favorecer o Banco Master. Como prova, cita que a única emenda de sua autoria sobre o tema (na MP 1106/2022) propunha limitar os juros e proteger os consumidores, indo de encontro aos interesses da instituição financeira.
Oposição à Medida: O senador posicionou-se publicamente contra a chamada “Emenda Master”, um texto de autoria do senador Ciro Nogueira (PP-PI).
Aval do Relator: O próprio relator da proposta na época, senador Plínio Valério (PSDB-AM), emitiu uma nota oficial confirmando que jamais foi procurado pelo líder do governo para tratar de qualquer facilitação ao banco. Além disso, a assessoria jurídica garantiu que o imóvel citado em Salvador nunca integrou o patrimônio do senador.
Um dos pontos de maior repercussão da operação foi a apreensão de dinheiro em espécie (dólares e euros) na casa do parlamentar. Em entrevista, Jaques Wagner demonstrou tranquilidade e explicou detalhadamente a origem legal dos valores, que estavam guardados em envelopes oficiais com o timbre do Senado Federal.
“De 2019 para cá, eu recebi de diárias aproximadamente US$ 70 mil. Outras vezes em que fui viajar, comprei, via Banco do Brasil, onde tenho conta, dólares ou euros para fazer a viagem. Então, eu não tenho nada a esconder”, afirmou o senador.
Dados oficiais do Portal da Transparência do Senado chancelam a versão do petista: entre 2019 e 2026, Wagner realizou 27 viagens internacionais oficiais em missões do mandato, recebendo legalmente R$ 338,7 mil (cerca de US$ 66,8 mil) em diárias. Os valores guardados seriam sobras dessas viagens. A defesa destacou ainda que o próprio Ministério Público Federal (MPF) já havia considerado a apreensão do montante "prematura".
O desdobramento da operação policial provocou abalos na estrutura política do Palácio do Planalto. Logo após as buscas, Jaques Wagner recebeu um telefonema de solidariedade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo o senador, Lula manifestou "absoluta confiança" em sua conduta devido aos 48 anos de convivência e pediu para que ele "ficasse firme" contra o que chamou de tentativa de desestabilização.
Apesar do respaldo presidencial direto e da decisão de Wagner de manter sua liderança e sua pré-candidatura à reeleição, o clima nos bastidores do PT e do governo é de forte fritura. Setores da base aliada temem o desgaste de imagem e já defendem abertamente a entrega do cargo de líder. O deputado federal Rogério Correia (PT-MG), vice-líder do governo na Câmara, foi a primeira voz pública a defender o afastamento de Wagner da função para que ele possa exercer sua defesa fora dos holofotes do comando governista.
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