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Violência Digital Contra Mulheres: Denúncias no Ligue 180 Disparam 188% em Um Ano

Por Redação TV SDB
23/06/2026 - Atualizado às 13:13


O ambiente virtual tem se tornado um reflexo hostil para meninas e mulheres no Brasil. Dados divulgados pelo Ministério das Mulheres revelam que as denúncias de violência digital contra o público feminino cresceram impressionantes 188,6% em apenas um ano.

Entre janeiro e maio de 2026, a Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 registrou 16.725 denúncias dessa natureza, contra 5.795 ocorrências computadas no mesmo período do ano anterior. O levantamento acende um alerta sobre como redes sociais, aplicativos de mensagens, jogos online e fóruns virtuais vêm sendo utilizados para perseguir, intimidar, humilhar, chantagear e expor indevidamente a intimidade das vítimas.

Redução de Subnotificações e Perfil das Vítimas

Para a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, a explosão nos indicadores não significa necessariamente apenas o aumento dos crimes, mas sim uma redução expressiva nas subnotificações. O avanço indica que as mulheres estão confiando mais no acolhimento do canal de denúncias e se sentindo mais seguras para relatar as agressões. Com a mudança no cenário, a violência digital saltou da 7ª posição no ranking geral de queixas em 2025 para a 5ª colocação em 2026.

O mapeamento estatístico do Ligue 180 revelou recortes importantes sobre a vulnerabilidade das vítimas:

  • Fator Étnico-Racial: Quase metade das vítimas (48%) são mulheres negras (sendo 37,5% pardas e 10,5% pretas), enquanto as brancas representam 34,2%.

  • Faixa Etária: Metade dos registros (50,8%) envolve mulheres jovens e adultas na faixa entre 25 e 49 anos.

  • Barreira Econômica: O ambiente digital também pune quem tem menos recursos. Cerca de 45,9% das denunciantes não possuem rendimentos próprios ou ganham até um salário-mínimo.

O Novo Decreto Federal e o Combate aos "Deep Nudes"

Para dar uma resposta jurídica e operacional à altura do problema, entrou em vigor o Decreto Presidencial nº 12.976/2026, que disciplina as obrigações das grandes plataformas de tecnologia no combate à misoginia na internet. A nova regra é pioneira em garantir ferramentas práticas para estancar a propagação de crimes virtuais:

  • Remoção em Até 2 Horas: As redes sociais e sites agora têm o prazo limite de duas horas para retirar do ar imagens não consentidas de nudez ou atos sexuais privados, sob pena de severas sanções baseadas no Marco Civil da Internet.

  • Equiparação por IA: O decreto equipara formalmente os chamados deep nudes (nudez falsa gerada por Inteligência Artificial) a imagens reais, reconhecendo que o dano moral e psicológico causado à mulher possui o mesmo impacto devastador.

  • Foco na Permanência: Segundo a Secretaria de Políticas Digitais da Secom, a medida visa impedir que a violência sistemática expulse as mulheres do debate público e das redes, garantindo sua real liberdade de expressão.

Modernização do Ligue 180 e Mobilização Nacional

Em paralelo à nova legislação, o Ligue 180 passou por uma reformulação técnica completa. Cerca de 350 atendentes da central passaram por treinamento especializado para identificar as nuances das agressões virtuais e orientar as vítimas sobre a preservação de provas digitais. O formulário oficial de atendimento também foi atualizado para incluir categorias específicas de crimes cibernéticos.

Campanha Nacional: O Governo Federal lançou paralelamente a campanha "O Digital é Nosso Lugar", com o slogan "Nossa Conexão é Livre. Proteja. Denuncie. Ligue 180", disponibilizando um guia prático de orientação para a sociedade civil.

A ministra Márcia Lopes reforçou que essas ações fazem parte do Pacto Brasil contra o Feminicídio e defendeu urgência na votação do Projeto de Lei nº 896/2023, que tramita na Câmara dos Deputados com o objetivo de criminalizar a misoginia e equipará-la ao crime de racismo em território nacional.



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