O clima de Copa do Mundo transformou o ambiente de oração da Basílica Santuário São Francisco de Assis, localizada na Asa Norte, em Brasília, em um verdadeiro caldeirão de expectativas e união comunitária. Na noite desta sexta-feira (19), religiosos e paroquianos se reuniram no espaço católico para acompanhar a transmissão da partida entre Brasil e Haiti. Deixando as análises puramente táticas de lado, os presentes destacaram que o torneio mundial funciona como um catalisador social capaz de reaproximar famílias, estreitar laços de amizade e reacender um sentimento coletivo de esperança que vai muito além das quatro linhas do gramado.
Entre os torcedores que lotaram o espaço, o frade Francisco Bruno, de 31 anos, revelou que chegou para o confronto com sentimentos divididos. O religioso admitiu que sua empolgação havia esfriado após o empate do Brasil na estreia contra Marrocos, mas recuperou o otimismo diante das mudanças táticas e das declarações firmes do técnico Carlo Ancelotti para o duelo contra os haitianos. Para ele, o futebol dialoga de forma direta com a espiritualidade franciscana por ser um esporte democrático e universal que exige muito pouco para acontecer — bastando apenas uma bola e alguns chinelos para delimitar as traves —, conectando realidades que vão das grandes metrópoles ao interior do país sob o mesmo teto da fraternidade.
Na mesma sintonia de confiança, a freira Elka Cristina, de 49 anos, enfatizou a vibração única que a Seleção Brasileira desperta no coração dos torcedores. Para a religiosa, o momento serviu principalmente para consolidar o convívio e fortalecer os vínculos afetivos com os paroquianos locais. Mantendo a cautela e esbanjando bom humor, a irmã preferiu não arriscar quais atletas seriam os grandes protagonistas da noite ou os autores dos gols, mas cravou um palpite confiante de dois a um para a equipe canarinho antes de a bola rolar.
A reunião para assistir ao jogo não foi um evento isolado na rotina da basílica. O frade Francisco Bruno ressaltou que a paróquia mantém uma atuação bastante sólida por meio da chamada Pastoral do Esporte, utilizando justamente as partidas de futebol como a sua principal ferramenta de inclusão e engajamento para jovens e adultos da comunidade. Vestindo camisas oficiais e carregando bandeiras do país, os participantes começaram a se acomodar bem antes do apito inicial, preenchendo o templo com cânticos de incentivo e vibrações positivas.
A liderança franciscana explicou que, por se tratar de um compromisso agendado em um dia útil de trabalho, o público total acabou sendo um pouco mais tímido do que o esperado. No entanto, a coordenação da basílica projeta que a presença e o engajamento dos fiéis nas dependências do santuário cresçam exponencialmente à medida que a Seleção Brasileira avance na competição, principalmente se os próximos mata-matas decisivos forem agendados para os finais de semana ou feriados nacionais, transformando a igreja em um ponto tradicional de celebração e fé na capital federal.
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