Os cerca de R$ 480 mil em espécie apreendidos pela Polícia Federal na última quinta-feira (19) em endereços ligados ao senador Jaques Wagner (PT-BA) geraram um forte impasse contábil. O montante confiscado pelos agentes federais supera em expressivos R$ 143 mil todo o teto acumulado de diárias que o líder do governo no Senado recebeu oficialmente da Casa Legislativa ao longo de seu atual mandato, compreendido entre os anos de 2019 e 2026.
Durante o cumprimento dos mandados judiciais, a força-tarefa localizou e apreendeu malas contendo US$ 55 mil e 33,5 mil euros em dinheiro vivo. Considerando as cotações oficiais do início da tarde de sexta-feira, que balizaram o dólar a R$ 5,14 e o euro a R$ 5,90, as notas estrangeiras equivalem juntas a exatamente R$ 480.350.
Em contrapartida, o levantamento dos portais de transparência do Senado Federal revela que Jaques Wagner recebeu um total consolidado de R$ 337 mil em diárias entre os anos de 2019 e 2026. Esse teto financeiro cobre exclusivamente os gastos individuais de hospedagem, alimentação e locomoção terrestre em agendas oficiais, excluindo a emissão de passagens aéreas. O ano de maior recebimento foi 2025, período em que o parlamentar baiano amealhou R$ 74,5 mil em diárias, impulsionado por missões de peso no exterior, incluindo a comitiva presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva ao Japão, em março, e a delegação de senadores que viajou aos Estados Unidos em julho para debater o tarifaço do governo de Donald Trump.
Em pronunciamento oficial transmitido pela BandNews TV após a deflagração da operação, o senador baiano rechaçou as suspeitas de ilegalidade e justificou que a quantia em dinheiro guardada em sua residência é fruto direto de economias de viagens internacionais e missões diplomáticas. Wagner declarou que, desde 2019, recebeu aproximadamente US$ 70 mil em diárias do Senado e que, de forma complementar, costumava comprar dólares e euros legalmente em sua conta corrente do Banco do Brasil para custear seus deslocamentos, reforçando que tem total transparência sobre o patrimônio.
Apesar das explicações dadas pelo líder governista, os investigadores da Polícia Federal apontam que o cerne da Operação Compliance Zero mira uma suposta rede de favorecimento político. O inquérito busca apurar indícios robustos de que o ex-governador da Bahia teria operado ativamente nos bastidores do poder para blindar e patrocinar os interesses financeiros do Banco Master, instituição controlada por Daniel Vorcaro e seu sócio Augusto Lima, sob a suspeita de recebimento de propina em troca do lobby institucional.
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