O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) deflagrou uma grande operação com o objetivo de aprofundar as investigações sobre um suposto esquema de fraudes instalado na folha de pagamento de servidores públicos do Distrito Federal. A principal suspeita das autoridades policiais e promotores é de que contratos antigos de crédito consignado tenham gerado descontos financeiros irregulares diretamente nos salários dos funcionários públicos distritais, beneficiando ilegalmente empresas particulares, associações e determinados servidores.
A ofensiva mobilizou forças policiais para o cumprimento de 50 mandados judiciais de busca e apreensão, expedidos pelo Conselho Especial do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT). As diligências ocorreram de forma simultânea nas cidades de Brasília, Curitiba e São Paulo, tendo como alvos de maior destaque o banco digital PicPay e seu presidente-executivo, Eduardo Chedid Simões, além do Banco de Brasília (BRB), instituição financeira estatal cujo maior acionista controlador é o próprio Governo do Distrito Federal (GDF).
A lista de locais vasculhados pelos investigadores estende-se ainda à sede da Secretaria de Economia do Distrito Federal, a diversas associações de servidores e ao Instituto de Previdência dos Servidores do DF (Iprev-DF). Entre as pessoas físicas envolvidas no inquérito está o ex-presidente do banco público BRB, Paulo Henrique Costa, que já se encontra preso desde abril deste ano no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura crimes de executivos do Banco Master contra o sistema financeiro nacional.
Em nota oficial, a Secretaria de Economia do DF confirmou que promotores e policiais civis recolheram equipamentos de trabalho em suas dependências, mas esclareceu que os acordos de empréstimos sob suspeita foram todos firmados em gestões anteriores, ressaltando que o foco da apuração é a conduta individual de servidores e não a atuação institucional da pasta. O Iprev-DF adotou tom semelhante, informando que a presença da polícia em sua sede serviu unicamente para dar acesso e extrair relatórios do sistema de folha de pagamento, garantindo que nenhum de seus funcionários atuais é considerado investigado na ação.
Por sua vez, o PicPay rechaçou veementemente qualquer acusação de irregularidade, garantindo que as antecipações de crédito eram disponibilizadas no cartão do cliente após solicitação direta no aplicativo, sem intermediários ou cobranças indevidas, e reforçou que continuará colaborando com a Justiça. O BRB ponderou que o alvo real da apuração não é o banco de varejo, mas sim a BRB Serviços, uma empresa do conglomerado com CNPJ próprio voltada à gestão da plataforma tecnológica de consignações. O banco estatal declarou não possuir contratos com o PicPay neste contexto, além de não exercer ingerência sobre o relacionamento comercial entre terceiros e os servidores.
Até o momento, o executivo Eduardo Chedid não foi localizado para comentar as buscas, enquanto a defesa de Paulo Henrique Costa declarou em nota que se manifestará assim que obtiver acesso integral aos novos autos do processo.
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