O Ministério da Saúde oficializou o lançamento do Programa de Atenção Domiciliar à Pessoa Idosa (Padi Brasil), uma iniciativa nacional que prevê o investimento de R$ 500 milhões para estruturar o atendimento médico diretamente nas residências dos cidadãos. O foco principal da ação está nos idosos com limitações funcionais severas, que enfrentam sérias dificuldades de locomoção e não conseguem se deslocar até as unidades de saúde tradicionais. A resposta das administrações municipais ao programa foi imediata: até o momento, 2.733 municípios já solicitaram a adesão, o que representa um pedido de abertura ou ampliação para 3.677 equipes multiprofissionais na atenção básica.
Para estimular a adesão e garantir a qualidade do serviço nas pontas, o governo federal oferecerá um incremento financeiro considerável para as prefeituras. O repasse mensal para cada grupo de trabalho poderá receber um bônus de até R$ 10 mil, fazendo com que o custeio total por equipe atinja até R$ 57,5 mil por mês, a depender da categoria selecionada, que se dividem entre as modalidades Ampliada, Complementar ou Estratégica.
De acordo com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, os municípios têm total autonomia para montar a composição profissional ideal com base em um catálogo oferecido pelo ministério. Essas equipes integradas contarão com uma atuação conjunta de médicos especialistas, enfermeiros, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais e assistentes sociais, trabalhando em total sintonia com a estratégia de Saúde da Família para oferecer um olhar humanizado e focado nas particularidades de quem passou a viver acamado.
A criação do Padi Brasil responde a uma realidade demográfica urgente e desafiadora. Com a expectativa de vida ao nascer no país tendo alcançado os 76,6 anos, o Sistema Único de Saúde (SUS) consolidou-se como o único amparo médico para expressivos 80% da população idosa brasileira. Atualmente, os dados do governo estimam que existam cerca de 3 milhões de idosos acamados no território nacional que demandam monitoramento constante da atenção primária.
O novo programa chega para somar forças com outras ações que tentam dar fôlego à rede pública, como o Farmácia Popular — responsável pela distribuição de fraldas geriátricas e medicamentos gratuitos para diabetes e hipertensão —, e o programa Mais Especialistas, focado na redução das filas de espera para exames e cirurgias complexas. Como suporte extra no acompanhamento diário, o governo aposta no uso da Caderneta Brasileira da Pessoa Idosa, disponível digitalmente no aplicativo Meu SUS Digital, além da distribuição de manuais voltados para cuidadores e familiares com foco em prevenção de quedas e manejo de demências.
O evento de lançamento na capital fluminense também reservou espaço para um reconhecimento histórico importante. O Ministério da Saúde prestou uma homenagem à memória da médica e advogada Guilhermina Maria Galvão Siqueira Gomes, cuja atuação visionária na década de 1990 serviu de inspiração direta para o desenho do atual programa nacional.
Ao notar que os pacientes idosos que recebiam alta no Hospital Municipal Paulino Werneck, na Ilha do Governador, retornavam rapidamente ao pronto-socorro em quadros graves por pura falta de suporte em casa, ela liderou a criação do primeiro Programa de Atenção Domiciliar (PAD) na unidade. Aquela semente plantada há trinta anos, que levava médicos, psicólogos e fisioterapeutas para dentro da casa dos pacientes e dava apoio aos cuidadores, agora ganha escala nacional para amparar milhões de brasileiros.
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