Salvador torna-se o epicentro do debate diplomático popular nesta terça e quarta-feira ao sediar a Assembleia Mundial dos Povos. O encontro internacional é realizado pela Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e reúne representantes de diversos países com o objetivo de promover o diálogo, a cooperação e a aproximação cultural diante de um cenário global de crescentes tensões geopolíticas.
Uma das principais vozes do evento é Alena Dolgopolova, secretária-geral da Assembleia dos Povos do Mundo — uma organização internacional sem fins lucrativos focada em construir pontes entre movimentos sociais, lideranças e cidadãos comprometidos com a paz e a integração global.
Como parte das atividades preparatórias, Alena visitou a sede sindical na última segunda-feira e participou do PodBancário. Na ocasião, ela analisou a atual conjuntura internacional e reforçou que a estabilidade global depende diretamente do respeito à autodeterminação de cada país.
"A construção de um mundo mais justo passa pelo fortalecimento do diálogo e pela defesa da soberania dos povos diante dos interesses econômicos e geopolíticos que frequentemente alimentam conflitos internacionais." — Alena Dolgopolova
O encontro acontece em um momento de profundas transformações na ordem geopolítica e pretende debater temas sensíveis da agenda global. Sob a ótica dos movimentos sociais organizados, as discussões estão divididas em duas grandes frentes:
A guerra em andamento entre Rússia e Ucrânia e seus impactos humanitários e econômicos;
As pressões e sanções promovidas pelos Estados Unidos, incluindo o duradouro bloqueio econômico a Cuba;
As escaladas de tensão no Oriente Médio envolvendo o Irã;
A crise política na Venezuela e os questionamentos sobre a legitimidade e a soberania do governo de Nicolás Maduro.
O fortalecimento de blocos econômicos alternativos, com destaque para a expansão e o papel dos BRICS;
Os desafios estruturais para a integração regional da América Latina;
O papel estratégico do Brasil como mediador na construção de uma agenda internacional voltada para o desenvolvimento sustentável e para a cooperação mútua.
Ao final dos dois dias de debates, a expectativa dos organizadores é consolidar um manifesto e uma rede de ações que reforcem uma ordem internacional baseada no multilateralismo. O foco principal está na busca por soluções pacíficas e negociadas para os conflitos vigentes, além do combate contínuo a retrocessos sociais, como o avanço do discurso de ódio, do racismo e da xenofobia em escala global.
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