Dez anos após transformar o lixo das ruas da periferia de São Paulo em carrinhos movidos a bexiga, a professora brasileira Débora Garofalo alcançou o topo do reconhecimento mundial. Em Dubai, ela foi consagrada com o prêmio inédito Global Teacher Influencer of the Year, conferido pelo comitê do Global Teacher Prize (considerado o Nobel da educação), coroando um impacto que há muito tempo extrapolou as paredes da sala de aula.
O projeto, que começou como uma alternativa criativa em uma comunidade cercada por vulnerabilidades, virou política pública de larga escala e redefiniu o debate sobre o uso de tecnologia nas escolas públicas do Brasil.
A jornada de Débora mostra como uma ideia simples e contextualizada pode mudar a realidade de milhões de estudantes:
Muito além dos prêmios, a introdução da robótica com sucata gerou indicadores sociais e pedagógicos profundos na comunidade de origem do projeto:
Evasão Escolar: Redução drástica de 93% na evasão, engajando alunos em situação de risco como voluntários que passavam o dia na escola apoiando colegas.
Trabalho Infantil: Queda de 95% no trabalho infantil na região, resultado de um esforço integrado que trouxe conselhos e juízes para conscientizar as famílias dentro do ambiente escolar.
Desempenho Acadêmico: O Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) da escola nos anos finais saltou de 4,2 para 5,2 em apenas três anos e meio.
Impacto Ambiental: Mais de uma tonelada de lixo foi retirada diretamente das ruas e reciclada nas aulas de programação e física prática.
Em sua visão sobre os rumos da educação contemporânea, Débora faz um alerta importante: ter tecnologia na escola não significa necessariamente encher as salas de telas. A educadora defende que a distribuição em massa de tablets ou computadores perde o sentido se não houver uma clara intencionalidade pedagógica por trás.
"A gente passou muito tempo com uma educação tradicional passiva. E a gente sabe que a aprendizagem, para ser efetiva, precisa ser ativa. Para isso, o estudante tem que errar, tem que idealizar, tem que construir, tem que testar, tem que colaborar. Por isso, é tão importante uma educação mão na massa."
Para Débora, a tendência atual de simplesmente proibir o uso de celulares nas salas de aula é um equívoco que mascara o verdadeiro problema. Em vez de excluir a tecnologia, as redes de ensino precisam investir em educação midiática e na formação de professores. Os jovens já nascem conectados; o papel da escola moderna é ensiná-los a usar essas ferramentas com criticidade, ética e foco na resolução de problemas reais.
Atualmente, Débora Garofalo trabalha na democratização desse acesso por meio de consultorias a estados e municípios e da publicação de sua trilogia de livros Robótica com Sucata — Uma aventura pela criatividade (Editora Moderna), cujo terceiro volume está previsto para ser lançado no segundo semestre deste ano.
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