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Com camisas do Brasil e leques coloridos, Parada LGBT+ atrai famílias e repudia retrocessos

Por Redação TV SDB
08/06/2026 - Atualizado às 13:23


Imagem: Maria Isabel Oliveira / O Globo

Em sua 30ª edição, evento na Avenida Paulista celebrou três décadas de luta com foco nas eleições e críticas a projetos de lei. Festa contou com caravanas, shows de estrelas pop e reforço da identidade nacional pela comunidade.

A 30ª edição da Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo reuniu, neste domingo (7), uma multidão na Avenida Paulista. Marcada pela forte presença de famílias com crianças e o resgate das camisas da Seleção Brasileira, o evento adotou o lema político "A rua convoca, a urna confirma".

A escolha do tema faz referência aos 30 anos da urna eletrônica no Brasil e foca nas eleições como instrumento de defesa e ampliação de direitos. A mensagem também serviu como resposta direta a um projeto de lei, aprovado em primeira votação na Câmara Municipal no mês passado, que tentou proibir a presença de crianças e adolescentes na Parada, mesmo acompanhados pelos pais.

Durante o evento, especialistas, ativistas e políticos — que discursaram do alto dos trios elétricos — alertaram que muitos dos avanços conquistados pela comunidade LGBTQIAPN+ ainda permanecem vulneráveis a disputas e tentativas de retrocesso legislativo.

Verde, amarelo e arco-íris

Vestindo a camisa da seleção brasileira, o artista plástico Hal Wildson participou de uma ação com o mascote do evento ao lado do gestor cultural Patrice Pauc e dos filhos, Thiago e Nina. Wildson foi o responsável por desenvolver a bandeira estampada na capa do personagem.

"Trazer as crianças é reforçar que esse é um lugar seguro para todos. Esse ano mesmo tinha deputado querendo proibir a vinda de crianças como se aqui fosse um lugar hostil. Ao contrário, aqui a gente fala de amor, de orgulho, de futuro. Trouxe as cores da bandeira do Brasil porque todas as pessoas podem existir debaixo dessas cores", explicou o artista.

A diversidade de configurações familiares marcou a Paulista. O casal Isabel e Sofia levou a filha, Elis, para mostrar a representatividade. “A importância de a Elis estar aqui é para ela entender que ela não é a única, que existem milhares de famílias homoafetivas e que ela faz parte de uma rede”, disse Isabel.

O tradicional exército de leques

Como já é tradição, os leques coloridos dominaram a paisagem. O acessório embalou os discursos, o Hino Nacional e os hits pop ao longo de todo o percurso. Para muitos participantes, como a assistente de logística Sabrina Nascimento e o técnico em nutrição Rosinaldo Coelho, o item é um "símbolo de resistência e representatividade".

Além do valor simbólico, os leques movimentam a economia. O comerciante Mohamed Ghandi, que monta sua barraca em frente ao Masp, confirma que a procura só cresce: "A gente faz leque personalizado, liso, com as bandeiras. Leque é o que vende mais", afirma.

Caravanas de todo o Brasil

A Parada atraiu turistas de diversas regiões. As empresárias Fafá e Evely Landim, casadas há sete anos, viajaram de Juazeiro do Norte (CE) para participar pela primeira vez. “O direito tem que ser lembrado diariamente. Existe uma história por trás da Parada e nós estamos aqui para dar continuidade a ela”, celebrou Fafá.

Juntos há 26 anos, o casal de empresários Jailson Sales e Luiz Rodrigues também viajou para São Paulo. “A cada ano estamos adquirindo mais direitos de poder sair nas ruas e ter tudo que você quer como ser humano. Aqui é nosso melhor lugar para fazer essa manifestação", comentou Jailson.

Trios elétricos e atrações

A concentração teve início às 10h, e os trios elétricos começaram a descer a Rua da Consolação no início da tarde. A festa foi comandada por alguns dos maiores nomes da cultura LGBT+ no país, entre eles:

  • Pabllo Vittar

  • Gloria Groove

  • Urias

  • Melody

  • Pepita

  • Jup do Bairro

  • Diego Martins

  • Thiago Pantaleão

  • Majur

  • Katy da Voz e as Abusadas

Incidente de segurança

Apesar do clima de celebração, a violência urbana paulistana atingiu o evento. O deputado estadual suplente e presidente da Associação do Orgulho LGBTQIAPN+ de São Paulo, Agripino Magalhães Júnior, foi vítima de um assalto durante a Parada.

Enquanto acompanhava as atividades na Paulista, Agripino foi abordado por dois homens que roubaram seus objetos pessoais, incluindo o celular. O ativista não sofreu ferimentos e registrou boletim de ocorrência na Polícia Civil.

“Hoje fui eu. Amanhã pode ser qualquer trabalhador voltando para casa, qualquer estudante. A violência deixou de ser exceção e passou a fazer parte da rotina de quem vive em São Paulo. Segurança pública precisa voltar a ser prioridade”, cobrou Magalhães.



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