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Após impor contracheque único, Fachin avança em pente-fino sobre verbas extras de juízes

Por Redação TV SDB
07/06/2026 - Atualizado às 13:34


Imagem: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Equipe terá 180 dias para elaborar um relatório completo sobre a situação e apresentar uma proposta de lei. Ação ocorre na esteira de decisões recentes que barraram folhas de pagamento extras nos tribunais.

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministro Edson Fachin, instituiu um grupo de trabalho focado na revisão de todos os "penduricalhos" pagos a magistrados em todo o país. O termo popularizou-se para definir o pagamento de variados tipos de verbas indenizatórias criadas pelos tribunais sob diferentes justificativas, mas que não possuem previsão expressa em lei.

De acordo com o plano de trabalho assinado pelo ministro na noite da última sexta-feira (5), a equipe designada ficará responsável por "realizar estudos sobre propostas legislativas acerca da remuneração da magistratura e seus reflexos no aperfeiçoamento do sistema remuneratório do serviço público nacional".

Prazo e propostas

O grupo de trabalho recebeu um prazo estipulado de 180 dias para concluir suas atividades. Ao final desse período, deverá entregar dois produtos principais:

  1. Um relatório completo e detalhado sobre a situação atual dos penduricalhos nos tribunais brasileiros;

  2. Uma minuta de projeto de lei com o objetivo de regulamentar e padronizar o pagamento das verbas indenizatórias a juízas e juízes.

Contracheque único e transparência

A iniciativa de Fachin dá sequência a uma política de maior rigor e transparência nas contas do Judiciário. No fim de maio, o CNJ aprovou a criação de um contracheque único para os magistrados.

Na prática, a medida proibiu os tribunais de abrirem folhas de pagamentos extras — separadas da folha regular de vencimentos — para o depósito dessas verbas. A nova norma também obrigou as Cortes a unificarem a nomenclatura das verbas indenizatórias legais. A padronização foi necessária porque o CNJ tentou mapear os pagamentos e esbarrou na impossibilidade de contabilizar quantos nomes diferentes eram utilizados pelo país, tamanha a diversidade criativa das nomenclaturas.

O estopim da discussão

O debate sobre os penduricalhos, que frequentemente elevam os vencimentos dos magistrados a patamares muito acima do teto constitucional do funcionalismo público, ganhou força no início deste ano.

Em março, o plenário do Supremo Tribunal Federal referendou uma liminar proferida pelo ministro Flávio Dino, que suspendeu de imediato o pagamento de diversas verbas não previstas em lei pelo país, estabelecendo um marco na contenção desses repasses.



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