Forças norte-americanas atingiram radares em resposta à ofensiva iraniana contra o tráfego marítimo. Retaliações envolveram interceptações no Kuwait e Bahrein, e complicam as negociações por um cessar-fogo.
As forças dos Estados Unidos atacaram locais de radares costeiros iranianos neste sábado (6), após derrubarem drones lançados pelo Irã em direção ao Estreito de Ormuz. A ação marca uma nova escalada militar que complica os esforços diplomáticos para pôr fim à guerra entre os dois países, iniciada há três meses.
Segundo uma autoridade norte-americana ouvida pela agência Reuters, os militares acreditam que os quatro drones iranianos tinham como alvo direto o tráfego marítimo regional. Pela rede social X (antigo Twitter), o Comando Central dos EUA (Centcom) confirmou que a resposta atingiu instalações de vigilância do Irã em Goruk e na Ilha de Qeshm, ambas estrategicamente localizadas no Estreito de Ormuz.
Retaliação e tensão no Golfo
A resposta de Teerã foi imediata. O Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica do Irã declarou ter alvejado bases dos EUA na região com mísseis e disparado contra quatro navios-tanque que tentavam cruzar o estreito sem permissão.
O impacto da troca de hostilidades foi sentido em nações vizinhas:
Kuwait: As defesas aéreas do país interceptaram ataques de mísseis e drones de origem não revelada, segundo a mídia estatal.
Bahrein: Sirenes de emergência tocaram e os moradores receberam orientações para procurar abrigo.
O Irã afirmou ter atingido bases dos EUA em ambos os países com mísseis balísticos. No entanto, os militares norte-americanos informaram que seis mísseis foram interceptados com sucesso e um sétimo caiu sem alcançar o alvo.
Estados Unidos e Irã vêm mantendo negociações — em sua maioria indiretas — para garantir um acordo interino que interrompa os combates iniciados em 28 de fevereiro por forças americanas e israelenses. A ideia é paralisar a guerra e deixar temas complexos, como o programa nuclear iraniano, para o futuro.
As escaramuças periódicas, contudo, deixam o pacto incerto. Para aceitar um acordo, Teerã exige:
Acesso a US$ 24 bilhões em ativos iranianos congelados;
Isenções de sanções sobre exportações de petróleo bruto;
Suspensão do bloqueio dos EUA aos seus portos;
Maior controle sobre o Estreito de Ormuz.
O conselheiro do líder supremo do Irã, Mohsen Rezaei, alertou na última sexta-feira (5) que os EUA "entrariam em um corredor escuro" se retomassem os ataques no território.
O presidente dos EUA, Donald Trump, enfrenta forte pressão política interna para encerrar a guerra, impulsionada principalmente pelo aumento desenfreado dos preços da gasolina. O bloqueio iraniano no estreito — por onde transitava cerca de um quinto do petróleo mundial — desestruturou as cadeias globais de suprimentos. A crise é tamanha que o Programa Mundial de Alimentos da ONU alertou que o aumento dos custos de transporte e combustível está empurrando milhões de pessoas para mais perto da fome.
Em entrevista ao programa Meet the Press, da NBC News, Trump avaliou a capacidade bélica do adversário. Segundo o presidente, embora a maioria das fábricas de drones e mísseis do Irã tenha sido destruída, os iranianos ainda retêm de 21% a 22% de seu arsenal. "É muito míssil, mas não é o que era quando atacamos pela primeira vez", ponderou.
Questionado sobre o motivo de o Irã resistir a um acordo, Trump afirmou: "Porque eles são fortes. São orgulhosos. Há coisas que eles nunca pensaram que estariam fazendo e que vão ter que fazer, eles não têm escolha, e isso leva um tempo".
Sobre os frágeis acordos de cessar-fogo na região, o presidente norte-americano descreveu o cenário não como uma interrupção total dos combates, mas como as partes "atirando de uma maneira mais moderada".
O cenário regional é agravado pelas tensões na fronteira libanesa. O grupo armado pró-Irã Hezbollah afirmou ter realizado na sexta-feira dois ataques contra tropas israelenses no sul do Líbano, incluindo a região do Castelo de Beaufort, recentemente capturada por Israel. Em resposta, ataques aéreos israelenses atingiram diversas cidades no sul libanês.
O Irã reafirmou seu apoio ao Hezbollah e colocou um cessar-fogo entre Israel e o grupo libanês como condição inegociável para qualquer acordo de paz com Washington.
Nesta semana, o líder do Hezbollah, Naim Qassem, rejeitou um pacto mediado pelos EUA que não previa a retirada das tropas de Israel do Líbano. Por outro lado, Israel declarou que suas forças não irão recuar ou interromper as operações, gerando atritos até mesmo com os EUA. Como contraponto, o presidente do parlamento libanês, Nabih Berri, sugeriu um acordo de retirada mútua e simultânea envolvendo o Hezbollah e as tropas israelenses.
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