Advogado-geral da União representou o governo no evento em SP e dividiu o espaço com políticos da extrema direita. Questionado sobre a situação, Messias defendeu o caráter exclusivamente religioso do encontro e repassou mensagem de Lula.
O advogado-geral da União (AGU), Jorge Messias, marcou presença na 34ª edição da Marcha para Jesus, realizada nesta quinta-feira (4), em São Paulo. Representando o governo federal em um evento tradicionalmente conhecido por ser um reduto de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o ministro protagonizou um momento de tensão política indireta.
Durante o trajeto pela Avenida Tiradentes — no trecho entre a estação da Luz e a Praça Heróis da Força Expedicionária Brasileira (FEB) —, Messias dividiu o mesmo trio elétrico com o senador e pré-candidato à presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O distanciamento, no entanto, foi evidente: cada um permaneceu isolado em um lado do veículo.
"Lugar até para Judas"
Questionado sobre como avaliava a presença do filho do ex-presidente e de outros expoentes da extrema direita no mesmo espaço, o advogado-geral da União recorreu a uma metáfora bíblica para dar o seu recado.
“Na mesa de Jesus tem lugar para Thiago, tem lugar para Pedro, tem lugar para Tomé, tem lugar até para Judas. Na mesa de Jesus, o único perfeito é Deus”, disparou Messias.
A mensagem de Lula
Messias fez questão de ressaltar que sua presença na manifestação atendia a um pedido direto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com o objetivo de reforçar o respeito do governo ao público evangélico e tentar despolitizar a marcha.
“O presidente me pediu para vir trazer o abraço dele a todos os irmãos e às irmãs em Cristo, dizer do amor dele por este dia e para o povo de Deus. Ele me pediu uma coisa: ‘Messias, vá à marcha para louvar e adorar. A marcha não é lugar de comício, a marcha é lugar de louvor e adoração a Deus’. E é isso que eu estou fazendo, louvando e adorando ao nosso Deus”, relatou o ministro.
Reindicação ao STF
O embate velado no evento religioso ganha ainda mais peso diante das recentes movimentações políticas em Brasília. O presidente Lula reafirmou que pretende insistir no nome de Jorge Messias para ocupar uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF), mesmo após a rejeição do nome do AGU pelo Senado.
Defendendo a prerrogativa constitucional do Executivo na escolha dos magistrados da Suprema Corte, Lula foi categórico em sua decisão de não recuar: “Eu vou mandar o Messias outra vez. Eu vou mandar por respeito à função presidencial. Sou eu quem indico”.
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