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Ministro rebate EUA e diz ter provado que acusações para impor tarifas de 25% são ilegítimas

Por Redação TV SDB
05/06/2026 - Atualizado às 14:02


Imagem: Carlos Moura/Agência Senado Fonte: Agência Senado

Ministro das Relações Exteriores se reuniu com representante comercial norte-americano durante evento da OCDE. Relatório dos EUA recomenda sobretaxa de 25% e mira o Pix, o mercado de etanol e o combate ao desmatamento.

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou neste sábado (4) ter demonstrado às autoridades norte-americanas que os argumentos apresentados pelos Estados Unidos para a imposição de novas tarifas sobre produtos brasileiros “não são legítimos”.

A declaração ocorreu após Vieira confirmar um encontro com o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, realizado à margem da reunião ministerial da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), em Paris. Em entrevista à GloboNews, o chanceler relatou que Greer avaliou que os dois países têm tido “ótimas conversas” no âmbito das negociações tarifárias.

Quebra de prazo e defesa brasileira

Durante a reunião, o ministro brasileiro demonstrou insatisfação pelo fato de os resultados das investigações de Washington sobre supostas "práticas comerciais desleais" terem sido divulgados antes do prazo estipulado. O cronograma de negociação havia sido acordado pessoalmente entre os presidentes dos dois países em um encontro bilateral ocorrido em maio.

“Demos todas as informações necessárias. O que nós esperamos é que isso tudo seja levado em conta e que fique comprovado que não há por que sermos objeto de tarifas, porque todos os argumentos apresentados nós provamos que não são legítimos”, destacou Vieira.

As acusações e alvos do USTR

A crise comercial ganhou força no início deste mês, quando o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) publicou um relatório recomendando uma expressiva sobretaxa de 25% sobre as importações oriundas do Brasil. A justificativa do documento acusa o país de adotar políticas e práticas “irrazoáveis” ou “discriminatórias”.

O pente-fino do governo americano avaliou e criticou as seguintes áreas:

  • Comércio digital e serviços de pagamentos eletrônicos (com foco no avanço do Pix);

  • Concessão de tarifas preferenciais;

  • Proteção de propriedade intelectual;

  • Eficácia no combate à corrupção;

  • Acesso ao mercado de etanol;

  • Controle sobre o desmatamento ilegal.

Agenda internacional na OCDE

Além do diálogo com a delegação dos Estados Unidos, o chanceler brasileiro aproveitou a cúpula em Paris para avançar em outras frentes comerciais e diplomáticas. Vieira reuniu-se com o comissário para Comércio e Segurança Econômica da União Europeia, Maros Sefcovic, com quem discutiu a implementação do acordo Mercosul-UE, em vigor desde maio.

A extensa agenda internacional do ministro incluiu ainda encontros bilaterais com importantes lideranças globais, entre elas:

  • Yeo Han Koo, ministro do Comércio da Coreia do Sul;

  • José Manuel Albares, chanceler da Espanha;

  • Maninder Sidhu, ministro do Comércio Exterior do Canadá;

  • Guy Parmelin, presidente da Suíça;

  • Petr Macinka, chanceler da República Tcheca.



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