Comitiva de parlamentares entregou documento sugerindo suposta ocultação de ativos e lavagem de dinheiro envolvendo o dono da instituição financeira e os filhos do ex-presidente. Avanço do pedido é considerado improvável.
Uma comitiva de deputados federais da base governista reuniu-se, nesta quinta-feira (4), com congressistas do Partido Democrata nos Estados Unidos para entregar um pedido formal de investigação. O alvo da denúncia são as possíveis conexões financeiras entre membros da família Bolsonaro e o Banco Master em território norte-americano.
O grupo brasileiro foi formado pelos deputados Pedro Uczai (PT-SC), Pedro Campos (PSB-PE), Jandira Feghali (PCdoB-RJ) e André Janones (Rede-MG).
Os parlamentares pedem que as autoridades norte-americanas examinem a eventual utilização de empresas, fundos de investimento, escritórios de advocacia, contas bancárias e contratos sediados ou operacionalizados nos EUA que poderiam servir a um esquema de crimes financeiros.
O ofício entregue aos democratas contém oito páginas e cita nominalmente os envolvidos nas suspeitas. O texto aponta para:
Atores financeiros: O empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e a empresa Reag Investimentos;
Atores políticos: Atividades atribuídas ao ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro e ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), atual pré-candidato à presidência da República;
Suspeitas: Possível ocultação de ativos, lavagem de dinheiro, financiamento político irregular e obstrução de investigações.
Os deputados brasileiros destacaram que o pedido é fundamentado em informações públicas, reportagens investigativas e apurações que já estão em curso no Brasil. O grupo frisou que o ofício não atribui responsabilidade criminal prévia aos citados, mas defende a abertura de uma devassa para esclarecer a origem e a movimentação dos recursos ligados à instituição financeira e à família do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Apesar da articulação da base governista, o pedido de investigação tem poucas chances de avançar na prática. O principal obstáculo é o cenário político americano: a atual maioria republicana nas duas casas do Congresso dos EUA dificulta a aprovação de pautas encampadas pela oposição democrata.
Além do fator partidário, as investigações do Legislativo norte-americano raramente se concentram em casos envolvendo prioritariamente empresas privadas estrangeiras. Mesmo que os democratas solicitem ao Departamento de Justiça dos EUA a abertura de uma apuração, o bloco republicano tem força para esvaziar o peso político do requerimento.
O deputado democrata Jim McGovern, que recebeu a comitiva, afirmou ao jornal Folha de S.Paulo que pretende manter o diálogo com os parlamentares brasileiros e demonstrou solidariedade às pautas apresentadas. McGovern reconheceu não ter o poder de instaurar a investigação de forma unilateral, mas relatou ver o documento com "grande preocupação", destacando o consenso no encontro de que “a corrupção, seja no Brasil ou nos EUA, precisa ser denunciada”.
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