Durante reunião ministerial, presidente classificou a ofensiva comercial americana como "insensata" após acordo prévio firmado com Donald Trump na Casa Branca. Medida ameaça 21% das exportações brasileiras para os EUA.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quarta-feira (3), que o Brasil buscará ativamente novos parceiros de negócios para minimizar os impactos da política comercial agressiva adotada pelos Estados Unidos. A declaração ocorreu durante uma reunião ministerial no Palácio do Planalto, convocada em meio ao anúncio de novas taxações americanas contra produtos brasileiros.
“Nós vamos procurar outros parceiros. Se ele não quer comprar, a gente vai vender para quem quiser comprar. Não vamos ficar reclamando. O Brasil é dono do seu nariz. Isso aqui é um país democrático e soberano”, discursou o presidente aos ministros.
Lula subiu o tom contra a postura de Washington e defendeu a soberania nacional: “Nós resolvemos não adotar mais a política do vira-lata diante das grandes potências. Nós não somos melhores do que ninguém, mas não somos piores. Vamos respeitar todo mundo, mas queremos respeito”.
O alvo no Pix e o impacto econômico
A crise diplomática e econômica ganhou força na segunda-feira (1º), quando o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sugeriu a aplicação de uma tarifa de 25% sobre parte das importações brasileiras. O relatório é fruto de uma investigação iniciada há um ano, no governo de Donald Trump, que acusa o Brasil de “práticas desleais”.
Uma das justificativas do USTR chama a atenção: o órgão acusa o sistema Pix de prejudicar "injustamente” empresas americanas que prestam serviços de pagamento eletrônico, citando explicitamente operadoras de cartões de crédito como MasterCard e Visa, além do Whatsapp Pay.
De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a sobretaxa ameaça diretamente 21% do total das exportações brasileiras enviadas ao mercado norte-americano. O governo e as empresas prejudicadas têm até o dia 15 de julho para se manifestarem antes que os EUA iniciem as "medidas corretivas".
Surpresa e quebra de acordo na Casa Branca
Para Lula, a atitude americana foi "insensata", uma vez que havia uma negociação diplomática em curso. O presidente revelou que, durante encontro na Casa Branca em maio, ele e o presidente Donald Trump haviam acordado um prazo de 30 dias para buscar uma solução pacífica para a questão comercial.
Na ocasião, Lula entregou documentos comprovando que a relação bilateral é, na verdade, altamente favorável aos americanos: nos últimos 15 anos, o superávit comercial dos Estados Unidos sobre o Brasil foi de US$ 415 bilhões. “Saí de lá convencido de que a gente estava estabelecendo uma nova lógica no relacionamento (...) Confesso a vocês que fui pego de surpresa ontem com a decisão deles”, lamentou.
Mudança de rota rumo ao G7
Como resposta direta ao cenário de instabilidade, Lula anunciou uma mudança de planos em sua agenda internacional: ele confirmou presença na cúpula do G7, que ocorrerá em junho, na França. O Brasil participará do evento como convidado do presidente francês, Emmanuel Macron.
O grupo reúne as maiores economias ocidentais (Alemanha, Canadá, EUA, França, Itália, Japão e Reino Unido). “Eu nem ia no G7, agora eu vou. É preciso alguém tentar colocar ordem na casa e parar essa coisa de desmonte do multilateralismo, da democracia e desvalorização das instituições”, concluiu Lula, reforçando a necessidade de reformar e fortalecer a Organização das Nações Unidas (ONU).
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