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Lula reage a relatório dos EUA contra o Pix, cita ameaça a cartões e exige telefonema de Trump

Por Redação TV SDB
03/06/2026 - Atualizado às 14:50


Imagem: Foto: Ricardo Stuckert / PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta terça-feira (2), que o Pix é superior aos sistemas de pagamento eletrônico oferecidos por empresas dos Estados Unidos. Durante um evento na cidade de Catalão (GO), Lula defendeu a tecnologia nacional diante das recentes ameaças de sanções e declarou que o Brasil não aceita ser tratado como uma "republiqueta de banana".

As declarações ocorrem após o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) publicar um relatório atacando o sistema de pagamento instantâneo do Banco Central. O documento americano argumenta que o Pix prejudica "injustamente" empresas globais como MasterCard, Visa e WhatsApp Pay.

O Incômodo com a Gratuidade

Para o presidente brasileiro, a insatisfação americana tem raiz no sucesso e na gratuidade da infraestrutura do Pix, que já movimenta mais recursos do que as bandeiras tradicionais de cartão de crédito no país. Lula revelou ter sugerido a Donald Trump a adoção de um sistema semelhante nos EUA.

"A preocupação dos americanos é que o Pix pode abalar muito as empresas do cartão de crédito deles que estão aqui no Brasil. Acham que o Pix vai acabar com isso; e o Pix vai acabar mesmo, porque o Pix é de graça, é público e ninguém paga nada", destacou o presidente.

Ameaça de Taxação e Prazos

O relatório do USTR é fruto de uma investigação iniciada há um ano pelo governo de Donald Trump, que apura supostas "práticas desleais" do Brasil no comércio bilateral. A principal medida sugerida pelo documento é a aplicação de uma taxação de 25% sobre determinados produtos brasileiros.

  • O governo brasileiro e as empresas que se sentirem prejudicadas têm até o dia 15 de julho para apresentar suas contestações oficiais ao relatório.

  • Após esse prazo, os EUA poderão iniciar a adoção das chamadas "medidas corretivas".

Cobrança Direta a Donald Trump

Lula classificou a atitude do governo dos EUA como intempestiva, uma vez que as duas nações já estavam com negociações abertas. Ele relembrou que, em maio, durante um encontro na Casa Branca, entregou a Trump documentos provando que a relação comercial é amplamente favorável aos americanos (com um superávit de US$ 415 bilhões a favor dos EUA nos últimos 15 anos). Na ocasião, os líderes haviam acordado um prazo de 30 dias para as equipes fecharem um entendimento comercial.

Diante da quebra de expectativa, Lula exigiu um posicionamento direto do líder norte-americano:

"Você me deve uma reunião e eu devo uma para você, porque nós demos 30 dias para os nossos ministros negociarem. Então, eu estou esperando um telefonema seu para me explicar o que aconteceu na sua ausência e na minha ausência, porque esse acordo não pode ter a sua anuência."



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