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Após ameaça de tarifaço e críticas ao Pix, Flávio Bolsonaro envia carta aos EUA pedindo recuo

Por Redação TV SDB
03/06/2026 - Atualizado às 14:31


Imagem: foto: Evaristo Sá / AFP

O senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), enviou uma carta ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, solicitando que o governo norte-americano não aplique novas sanções tarifárias ao Brasil. O apelo ocorre após o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) ameaçar taxar as importações brasileiras em 25% e fazer duras críticas ao Pix.

Contexto e Encontro com Trump

A movimentação do senador acontece logo após seu encontro com o presidente dos EUA, Donald Trump, em Washington. Na terça-feira (2), Trump publicou fotos ao lado de Flávio nas redes sociais, elogiando-o publicamente.

A carta de Flávio Bolsonaro busca desvincular sua imagem das sanções iminentes, argumentando que as tarifas prejudicariam diretamente a população e as empresas brasileiras, que já enfrentam um cenário econômico adverso.

A Carta a Marco Rubio

No documento, o parlamentar agradece a decisão americana de classificar facções criminosas brasileiras (como o Comando Vermelho e o PCC) como organizações terroristas e detalha a situação fiscal do Brasil para justificar o pedido de isenção das tarifas. Ele também afirma estar confiante em sua eleição à Presidência em outubro e promete alinhar um acordo comercial rápido caso assuma o cargo.

Confira a íntegra da carta enviada pelo senador:

"Prezado Secretário Rubio,

Escrevo, antes de tudo, para agradecer a cordialidade com que fui recebido durante minha recente visita a Washington. Nossa conversa reforçou minha convicção de que a amizade entre nossas duas nações se baseia em valores compartilhados e em uma visão comum para a segurança e a prosperidade do Hemisfério Ocidental.

Sou especialmente grato por sua decisão de designar o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital como organizações terroristas. Essas duas facções estão entre os empreendimentos criminosos mais violentos do Brasil, e suas redes de drogas, armas e dinheiro se estendem muito além de nossas fronteiras — alcançando também o seu país. A esmagadora maioria do povo brasileiro celebrou essa medida, ainda que ela não tenha agradado ao nosso governo atual. Trata-se de um passo decisivo para proteger os cidadãos honestos em todo o nosso hemisfério compartilhado.

Escrevo também, contudo, para manifestar minha preocupação com a recente determinação da Seção 301 anunciada pelo Representante de Comércio dos Estados Unidos. Embora eu compreenda que nenhuma tarifa tenha sido imposta até o momento — a determinação apenas inicia um processo de consulta pública e etapas técnicas que culminarão em um prazo legal em julho — considero meu dever compartilhar com o senhor as reais condições econômicas enfrentadas pelo povo brasileiro neste momento.

O Brasil vive um grave processo de deterioração fiscal e econômica. Nossa dívida bruta do governo geral ultrapassou agora 80% do PIB pela primeira vez desde a pandemia, alcançando R$ 10,4 trilhões em abril — e as projeções de mercado apontam para um recorde de 83,7% até o fim do ano. As contas públicas continuam registrando déficit primário, enquanto os pagamentos de juros da dívida atingiram níveis recordes. O peso sobre as famílias comuns é ainda mais alarmante: um recorde de 81,7 milhões de brasileiros está atualmente inadimplente — quase metade da população adulta —, com os compromissos financeiros consumindo uma parcela sem precedentes da renda familiar. No setor empresarial, as recuperações judiciais — equivalentes brasileiras ao Chapter 11 dos Estados Unidos — dispararam para um recorde histórico de 2.466 empresas em 2025, enquanto 8,7 milhões de contribuintes empresariais estavam inadimplentes no início de 2026. Cada um desses números representa um recorde histórico.

Nesse contexto, a imposição de novas tarifas causaria sérios danos ao povo brasileiro — justamente os cidadãos que veem os Estados Unidos como um parceiro e amigo. Por isso, escrevo para reiterar formalmente o pedido que lhe fiz pessoalmente: que os Estados Unidos não imponham tarifas ao Brasil.

Como já afirmei, estou confiante de que serei eleito Presidente do Brasil neste mês de outubro. Caso essa seja a vontade do meu povo, estou preparado para colocar minha equipe de transição imediatamente à sua disposição, para que possamos concluir, o mais rapidamente possível, um amplo acordo de comércio e investimentos benéfico para ambas as nossas nações — construído sobre os princípios dos mercados livres, do respeito mútuo e da aliança estratégica que nossos povos merecem.

Permaneço inteiramente à sua disposição e espero aprofundar ainda mais a amizade entre o Brasil e os Estados Unidos.

Que Deus abençoe os Estados Unidos, e que Deus abençoe o Brasil.

Respeitosamente, Flávio Bolsonaro Senador da República Federativa do Brasil."



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