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Fim do Pix? Como a retaliação tarifária do governo Trump pressiona o comércio e a tecnologia no Brasil

Por Redação TV SDB
01/06/2026 - Atualizado às 12:58


Imagem: Getty Images

Menos de um mês após um acordo inicial entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, o governo dos Estados Unidos ameaça romper as negociações. A Casa Branca está prestes a divulgar os resultados de uma ampla investigação comercial contra o Brasil, que serviu de base para a imposição de pesadas tarifas sobre produtos brasileiros.

A apuração americana baseia-se na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA e acusa o Brasil de uma série de práticas comerciais desleais. O prazo de 30 dias estipulado por Lula para que grupos de trabalho dos dois países apresentem uma solução definitiva se encerra no próximo domingo, 7 de junho.

O Alvo Principal: Pix e Redes Sociais

O pacote de reclamações de Washington é vasto e abrange desde a falta de combate ao desmatamento ilegal até questões de propriedade intelectual, com forte foco no mercado digital:

  • Pix: O sistema de pagamentos desenvolvido pelo Banco Central brasileiro é apontado como uma prática desleal. Segundo especialistas, a inclusão do Pix na investigação é uma forma de proteger grandes empresas de tecnologia e serviços de pagamento americanos, como WhatsApp Pay, Apple Pay e Google Pay, que disputam espaço no mercado brasileiro.

  • Redes Sociais e STF: O governo dos EUA critica o Supremo Tribunal Federal (STF) pela regulamentação das plataformas digitais (referente ao Marco Civil da Internet). Os americanos questionam a responsabilização das big techs por postagens ilegais e contas inautênticas (robôs), além de acusarem a Justiça brasileira de "censura" por determinar o bloqueio de perfis envolvidos nos ataques antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023.Motivação Política vs. EconômicaMotivação Política vs. Econômica

Motivação Política vs. Econômica

Apesar das justificativas comerciais, especialistas avaliam que a investigação possui forte viés político. O descontentamento do governo Trump estaria diretamente ligado às ações do Judiciário brasileiro, especialmente à prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos de prisão.

O clima de tensão diplomática se agravou na última semana. Após uma reunião no Salão Oval entre Trump e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), os EUA anunciaram que passarão a classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas. Em resposta, o presidente Lula foi categórico:

"Não aceitamos ser tratados como moleques. Não aceitamos ser tratados como uma republiqueta".

A Disputa das Tarifas Preferenciais

No campo estritamente comercial, o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) acusa o Brasil de reduzir tarifas de forma "injusta e preferencial" para parceiros como México e Índia, deixando as importações americanas em desvantagem.

O ex-secretário de Comércio Exterior, Welber Barral, explica que os acordos bilaterais do Brasil fazem com que um produto de uma mesma empresa global sofra taxações totalmente diferentes dependendo de onde é fabricado. Isso afeta diretamente setores de interesse estratégico para os norte-americanos, como o automobilístico e o químico, o que motivou o uso da Seção 301 para justificar as sanções impostas pelos EUA.



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