Até a primeira quinzena de maio, o Brasil registrou mais de 8 mil casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) por influenza, um salto de cerca de 70% em relação ao mesmo período do ano passado. Com o avanço das internações, infectologistas alertam para a importância do uso precoce do antiviral oseltamivir, conhecido como Tamiflu.
O cenário nacional exige atenção: segundo o Ministério da Saúde, quase todos os estados brasileiros estão em nível de alerta, risco ou alto risco para SRAG (com exceção de Rondônia), e a região Sul lidera a alta de hospitalizações, acompanhada por São Paulo, Espírito Santo, Roraima e Tocantins.
Os dados são preocupantes: das mais de 31 mil hospitalizações recentes por vírus respiratórios, a influenza responde por 23% dos casos. Pior ainda, dos 1.210 óbitos registrados por essas infecções, 57% tiveram associação direta com a influenza.
Para garantir a eficácia do tratamento, o Tamiflu deve ser iniciado nas primeiras 48 horas após o surgimento dos sintomas. O Ministério da Saúde recomenda a administração do medicamento para pacientes com SRAG e pessoas com risco de agravamento, mesmo sem a confirmação laboratorial da doença.
O protocolo federal prioriza grupos vulneráveis, como idosos, gestantes, imunossuprimidos e doentes crônicos. No entanto, o infectologista Antônio Carlos Bandeira ressalta que a indicação formal do remédio abrange qualquer paciente com diagnóstico de Influenza para evitar a progressão do quadro.
Estudos apontam que o tratamento no tempo correto traz impactos diretos na saúde do paciente e no sistema hospitalar. O infectologista da Fiocruz, André Siqueira, e o Ministério da Saúde destacam os seguintes resultados:
Redução de 52% nas hospitalizações;
Queda de até 38% no risco geral de morte;
Diminuição de 18% na mortalidade específica entre idosos;
Redução de 40% a 50% das complicações leves em adultos;
Redução de cerca de um dia na duração total dos sintomas.
Os especialistas alertam que a eficácia do medicamento cai consideravelmente quando administrado de forma tardia, especialmente se o paciente já desenvolveu complicações, como a pneumonia.
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